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CERÂMICANORIO |
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Mestre
Cardoso - Ceramista
de Icoaraci-Belém-PA
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O ceramista Mestre
Cardoso, (1930-2006), Raimundo Saraiva Cardoso, nascido
no interior paraense, juntamente com sua esposa |
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Em
seu ateliê/oficina, prédio anexo à sua residência, confecciona peças
inspiradas na cerâmica amazônica — Marajoara, Tapajônica,
de Santarém, Maracá etc. Produz réplicas de vasos, cariátides,
tangas etc, usando a mesma técnica de seus antepassados, com o auxílio
de rudimentares ferramentas. As
peças são modeladas com a técnica de “rolinhos/cobrinhas”. Na decoração
usam baixo e alto relevo, entalhes, aplicações, polimentos etc. Os grafismos são
feitos com engobes (barro de diversas cores em estado pastoso), e pigmentos
minerais coloridos. As queimas são realizadas em rudimentar forno a lenha. Atualmente, quando necessitam fazer réplicas de peças de grande tamanho, urnas funerárias, por exemplo, se valem do trabalho de um oleiro que modela, em torno de pé, a parte principal. Outra inovação, que está sendo providenciada, é a construção de um forno a gás. |
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Mestre
Cardoso
é profundo conhecedor da arte cerâmica. Estudioso, |
Urna Marajoara |
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No
passado Mestre
Cardoso, sua mulher Inês
e
outras pessoas trabalharam para o Museu Goeldi em Belém fazendo reproduções
de peças do acervo da entidade. Foram confeccionadas, na ocasião,
dezenas de cópias usando os mesmos métodos e materiais que os indígenas
usaram no passado. Na decoração, aplicaram corantes extraídos de sementes e
raízes, e pigmentos minerais e engobes de variadas cores. Em março/07 Inês Cardoso e Levy Cardoso ministraram uma Oficina no Museu Goeldi para um grupo de artesãos do município paraense de Oriximiná visando ensinar a confecção de réplicas de cerâmica arqueológica da cultura Konduri - complexo cerâmico encontrado na região dos rios Nhamundá e Trombetas, no baixo Amazonas, no Pará. |
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Reprodução Inês Cardoso datada de 1988-Coleção particular. |
| O
interesse de Mestre
Cardoso
pela cerâmica surgiu ainda criança vendo a mãe, que era louçeira, e o
pai na lida com o barro. Naquele tempo, em cidades do interior, peças utilitárias
como panelas, potes, vasilhames etc, eram produzidos por moradores para
uso próprio ou para algum comércio. A modelagem era tarefa feminina — prática herdada dos indígenas. Aos homens, cabia a missão de retirar o barro das várzeas. Para maior consistência da argila, adicionavam-se cinzas de ossos e provenientes da queima da casca do cariapé (uma árvore da região); bem como de chamote (fragmentos de cerâmica em pó) (caco moído). As queimas eram feitas em fogueiras a céu aberto. |
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Na
cerâmica amazônica a decoração peças cromáticas se dava com o uso de
engobes e com pigmentos de origem mineral e vegetal. Para a cor vermelha, usavam
o urucum, para a branca, o caulim, para o preto, o jenipapo,
além do carvão e da fuligem. Depois de queimadas, em forno de buraco ou em fogueira a céu aberto, as peças recebiam uma espécie de verniz obtido do breu do jutaí para dar um acabamento lustroso às superfícies. |
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Mestre Cardoso recebeu uma merecida homenagem pelos seus serviços voltados à cerâmica da Amazônia. Em Icoaraci, onde reside, há uma escola que leva seu nome — Liceu Escola de Artes e Ofícios “Mestre Raimundo Cardoso”. No local, além do ensino regular, os jovens são instruídos em ofícios: cerâmica, jardinagem, desenho, pintura etc. A escola possui forno elétrico e a gás, torno elétrico, maromba e o restante do equipamento que a atividade exige. Deve-se notar que Icoaraci é um importante pólo de cerâmica. Há dezenas de ateliês/oficinas em atividade vendendo seus trabalhos para o mercado nacional e internacional. No entanto, a maioria está voltada para a produção em escala sem a preocupação de manter a tradição, no que se refere aos métodos de fabricação dos antepassados. O enfoque dominante é claramente voltado para o lado comercial. |
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Observamos que até hoje, não raro, são
desenterradas, na Ilha de Marajó, cerâmicas indígenas. Habitantes, fazendeiros principalmente, encontram em suas
terras vasilhas, potes, urnas funerárias, apitos, chocalhos,
machados, bonecas de criança, cachimbos, estatuetas,
porta-veneno para as flechas, tangas (tapa-sexo usado para
cobrir as genitálias das mulheres) – talvez as únicas, não só na América
mas em todo o mundo, feitas de cerâmica. Objetos zoomorfos (representação de animais) ou antropomorfos (forma semelhante ao homem ou parte dele) e alguns misturando as duas formas. Sabe-se que grande quantidade de peças encontra-se fora do país fazendo parte do acervo de Museus e de particulares. O colecionador suiço Jean Paul Barbier , por exemplo, possui importante coleção de cerâmicas do período pré-colombiano da Amazônia brasileira, em Museus de Genebra e Barcelona. |
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| No Brasil, encontra-se a cerâmica
da Amazônia Pré-Colombiana — Marajoara e outras — no acervo do Museu
Emilio Goeldi em Belém-PA. Há também peças no Museu Nacional no Rio
de Janeiro, no Rio de Janeiro-RJ, no Museu Arqueológico da USP , em São
Paulo-SP, no Museu Universitário Prof Oswaldo Rodrigues Cabral , em
Florianópolis-SC e no Museu do Marajó, em Santa Cruz do Arari-Marajó. Pesquisa, texto e fotos: Renato Wandeck Mestre
Cardoso Saiba mais sobre Cerâmica Marajoara. http://www.ceramicanorio.com/artepopular/ceramicamarajoara/cerâmica_marajoara.htm
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