MISCELÂNEA
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Esmalte Macro-Cristalino
Sebastião Pimenta

 

 

O esmalte e suas características:

            Este tipo de esmalte apresenta em sua superfície formações cristalinas que podem ser visíveis a olho nu ao contrario dos esmaltes mates nos quais os cristais não podem ser vistos sem a ajuda de instrumentos específicos para analises cristalográficas. Na sua grande maioria são cristais de zinco formados a partir de “sementes” produzidas pela união da sílica com o óxido de zinco durante o processo de queima. Estas chamadas “sementes” são formadas quando o esmalte atinge o seu ponto de maturação, ou seja, algo em torno de 1250 a 1260o C e se desenvolvem durante o tempo de suspensão em patamares com temperaturas pré-determinadas.

            A coloração do esmalte é dada através dos óxidos corantes e sofre influência do tipo de pasta empregada na peça. A maioria dos ceramistas que trabalham com este tipo de esmalte, utilizam pastas de porcelana ou um grés marfim, mas nada impede a utilização de argilas com porcentagens de ferro ou manganês.

            Ao contrário do que muitos imaginam, as formas de “pétalas ou escamas” que surgem no esmalte macro-cristalino não são simplesmente um único cristal, mas um conjunto de milhares de cristais em forma de agulhas com dimensões minúsculas que se organizam em formas circulares. Em nosso atelier já desenvolvemos cerca de 8 diferentes tipos de esmaltes cristalinos e cada um tem sua característica própria, seja na formação final da “pétala”, coloração, tamanho dos cristais, temperatura de queima e patamar.

História:

            A história do esmalte macro-cristalino pode ser dividida em dois períodos cada um com desenvolvimento especifico, aos quais alguns ceramistas denominaram de “duas idades do ouro”. O primeiro vai de 1850 a 1918 e o segundo período de 1960 até os dias atuais.

            No primeiro período, as peças em macro-cristalização eram produzidas por grandes fábricas na Europa e nos Estados Unidos. Estas fábricas empregavam artistas, designers e químicos, a produção era limitada e sofria grande influência do movimento artístico da época a Art Nouveau. A principal causa desta produção limitada era que a cerâmica com aplicação deste tipo de esmalte era e ainda é difícil de criar e de reproduzir. Uma outra causa era que o esmalte macro-cristalino proporciona melhores resultados em formas simples e era difícil de adaptá-lo às formas do estilo artístico da época.

            No segundo período, o esmalte cristalino passa a ser utilizado por ceramistas independentes, em atelier próprio, como forma de valorizar determinada peça ou até mesmo uma série. São poucos os ceramistas que se dedicam exclusivamente a este tipo de esmalte. 

             Tive o primeiro contato com o esmalte macro-cristalino no ano de 1991 na cidade de Sendai no Japão durante uma exposição do ceramista Iwai jun do atelier Rikka Gama. Nesta época estava apenas iniciando na arte da cerâmica e não tinha conhecimento suficiente para compreender a técnica refinada empregada na elaboração daquelas peças. Em visitas constantes ao atelier de Iwai Jun, fui me apaixonando cada vez mais pela cerâmica e pelas técnicas de esmaltação e queima com uso de esmaltes macro-cristalinos. Iwai me forneceu informações suficientes para que eu desenvolvesse meu próprio esmalte e a partir desta base pesquisasse as suas inúmeras possibilidades.

Tipo de Pasta:

            As pastas indicadas para a aplicação do esmalte macro-cristalino são sem sombra de dúvida as de porcelana ou argila creme de alta temperatura, temos conseguido resultados interessantes em pastas com altos teores de ferro, mas não são indicadas por reduzir o crescimento das sementes. Do ponto de vista estético, as texturas criadas na superfície da peça pelos cristais são também mais apreciadas nas pastas cerâmicas com menor teor de ferro.

O Zinco:

            O óxido de zinco é um fundente muito ativo em alta temperatura. Quando usado em excesso em um esmalte com baixo teor de alumina e resfriado lentamente, o zinco ira produzir cristais. O zinco e o quartzo tem uma afinidade vão prontamente para formar silicato de zinco (Zn2SiO4). Em seu estado natural, este ingrediente é conhecido como Ilmenita. Aumentando a porcentagem de zinco, aumenta a quantidade de cristais. Entretanto, oxido de zinco em excesso numa formula de esmalte produz tanto cristal que torna o esmalte mate.

Forno e Queima:

            O tipo de forno aconselhável é o elétrico dando preferência aos pré-programáveis, devido ao fato de que temos que seguir um patamar especial de queima. Este patamar especial também pode ser conseguido num forno a gás, mas com o controle manual. Tivemos a oportunidade de ver em um atelier no Japão exemplos de esmaltes macro-cristalinos do séc. XVIII com queima em redução feitos em forno do tipo Anagama. Tenho conhecimento de ceramistas americanos que já fizeram cristais em redução, conseguindo belíssimos vermelhos de cobre usando o processo de gotejamento de óleo, e uma outra que quase incendiou seu atelier tentando fazer redução química.

            O processo de queima ocorre normalmente como qualquer outro, durante o processo de maturação do esmalte aparecem as sementes e, como dito anteriormente é no processo de resfriamento que surge a condição propícia para o desenvolvimento dos cristais. O tamanho e qualidade dos cristais dependem do patamar.

Cuidados Especiais:

            Por ser um esmalte extremamente fluido, cuidados redobrados devem ser tomados no que diz respeito à proteção das prateleiras, resistências e fundo de peças.  Sempre devemos aplicar uma camada de caulim nas prateleiras, antes de cada queima, dar uma certa distância entre as peças e deixá-las afastadas das resistências elétricas. Quanto ao fundo das peças, é recomendado que se faça um pratinho do mesmo diâmetro do mesmo. Assim o esmalte que escorrer, não atingirá a prateleira. Em alguns casos é necessário que se faça um polimento com uso de esmeril para tirar  as imperfeições.

Nosso Atelier e as pesquisas com esmaltes Cristalinos:

            A cerca de 7 anos temos pesquisado os esmaltes macro-cristalinos no Brasil e sua adequação à nossa realidade, iniciamos a pesquisa ainda no Japão no atelier do ceramista Iwai Jun e na Universidade de Educação de Miyagi no Departamento de Cerâmica em 1991. Digo adequação à nossa realidade me referindo principalmente à diferença das matérias primas, principalmente nos feldspatos. A abertura do Atelier em Governador Valadares serviu como uma alavanca para o desenvolvimento de nossos esmaltes, tive acesso a vários tipos de feldspatos, podendo experimentar vários deles em testes variados. Destes testes, selecionamos cerca de 3 para fórmulas que chamamos de “Base” e mais outras 15 usando porcentagens variadas das matérias primas e fritas.

            Para aqueles que quiserem saber mais sobre os esmaltes, sua aplicação ou outras informações, é só entrar  em contato com o Atelier que teremos o maior prazer em auxiliar no que estiver ao nosso alcance.

Atelier Sebastião Pimenta
Rua 24, 352
Bairro Santos Dumont I – Governador Valadares – MG
Tel: (033) 3225 0959
e-mail:
atelierpimenta@atelierpimenta.pro.br
http://www.atelierpimenta.pro.br/

 

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