MISCELÂNEA
CERÂMICANORIO
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PROJETO "PERGUNTAS MAIS
FREQüENTES" - PMF
Objetivo:
Esclarecer as dúvidas mais comuns sobre assuntos referentes à cerâmica
de ateliê (Técnicas de construção, queimas, esmaltes, materiais cerâmicos,
técnicas de decoração e outros temas correlatos)
Coordenação: Professor Tito Tortori
As perguntas deverão ser encaminhadas diretamente para:
titotortori@yahoo.com.br
1.
A
presença do óxido de ferro na argila tem alguma relação
com ela ser menos refratária?
2.
Existe
também alguma relação entre a presença do óxido
de ferro na argila e sua plasticidade?
3.
Por
que uma peça empena e porque isso ocorre mais
frequentemente
em pratos do que em vasos?
5. Que tipo de forno é indicado para queimar porcelana pintada à mão?
7. Afinal a manta cerâmica é ou não é tóxica?
1.
A presença do óxido de ferro na argila tem alguma relação
com ela ser menos refratária?
Pode-se dizer que de uma
certa forma sim. O óxido de ferro, de maneira geral, é um colorante que
apresenta um caráter fundente principalmente em altas temperaturas, tendendo a
baixar o ponto de fusão das argilas muito ricas em óxido de ferro, tornando-as
menos refratárias. É claro que isso não tem muita influência em temperaturas
abaixo de 1200ºC. Essas argilas podem ter uma coloração avermelhada, ocre,
cinza escura ou até esverdeada antes da queima, devido às diferentes formas de
óxido ou sais de ferro existentes na sua composição ( vermelho, amarelo,
preto, limonita, ocre, sulfato de ferro etc). Elas, após serem queimadas,
produzem excelentes objetos em “terracota”, podendo também ser utilizadas
para Maiólica e Raku.
Entretanto é interessante
perceber que a temperatura ideal da queima (independente do tipo de argila ou
massa cerâmica usada), dependerá também dos demais materiais e minerais
encontrados na sua composição além do óxido de ferro. Alumina, quartzo,
areia, chamote, feldspato e do próprio tipo de argilo-mineral. Assim uma argila
pode ser muito “avermelhada” e resistir bem nas queimas de alta temperatura.
A simples inclusão de material refratário (entre 10 e 30%) como chamote,
quartzo e caulim pode tornar uma argila de terracota apta a ser queimada em cone
10 (1365º C). Observamos existir no subsolo brasileiro uma tendência (geológica)
das argilas serem mais refratárias, até mesmo as argilas vermelhas comuns.
Após essas explicações
vai uma dica: Para fazer um forno não compre tijolos refratários, (isolantes)
"duros" ou "moles”,
se eles forem beges, rosados ou amarelados, pois isso é sinal de
contaminação com óxido de ferro.
Eles precisam ser brancos... bem brancos. Isto
é a garantia de que a argila usada na fabricação é bastante
refratária.
Texto:
Prof. Tito Tortori
OBSERVAÇÃO:
Caro visitante. Clique
abaixo caso queira enviar comentários
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dicas, tirar dúvidas etc.
ttortori@vento.com.br
2.
Existe também alguma relação entre a presença do óxido
de ferro na argila e sua plasticidade?
Indiretamente
sim. As argilas vermelhas em geral são muito plásticas por que são argilas
secundárias, ou seja, são depositadas longe do seu local
de origem (Rocha matriz) próximas a rios e lagos.
Nesse trajeto, a mistura de chuva e argila vai "lavando" o solo
no seu caminho e recolhendo minerais como o óxido de ferro.
No final desse processo se origina uma argila muito fina, plástica, com
um
Comentário:
Por esta razão o ceramista que deseja formular uma massa de porcelana
para uso no torno ou modelagem
costuma deparar com a seguinte questão:
Se você tenta aumentar a plasticidade da massa introduzindo argilas plásticas
(contaminadas de óxido de ferro), a porcelana perde “brancura”. Se usarmos
só caulins e argilas muito brancas, a massa fica pouco plástica.
secundários que são brancos e muito plásticos (exemplo o EPK americano)
ou usar bentonita branca e um pouco de Ball –clay (tabatinga) para
aumentar a plasticidade.
Texto:
Prof. Tito Tortori
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3.Por que uma peça empena e porque isso ocorre mais frequentemente em pratos do que em vasos?
As peças
quando empenam nos dizem que houve uma diferença na velocidade de secagem entre
duas regiões opostas e distintas da mesma peça.
As rachaduras e
empenamentos, em geral, estão associados nos casos onde a secagem foi
“acelerada” e desigual, quando a peça secou sem uma atmosfera
controlada (coberta por plástico, jornal ou pano), quando existem
diferentes espessuras de paredes conectadas, quando a peça é muito grande
ou larga (e a secagem é rápida!), quando as peças são construídas sem
um cuidado com a modelagem, quando
a argila foi mal amassada, quando as superfícies são muito planas etc.
As peças na
modelagem são muito mais sensíveis ao empenamento do que as peças torneadas.
Isto ocorre por que na modelagem as partículas (ou cristais) de argila estão
desorganizados e desorientados, fazendo que a secagem (o encolhimento) seja
muito mais complicada.
Já no torno,
as peças são monoblocos “cinturados” (com partículas organizadas segundo
o movimento espiral), tendendo a ter um encolhimento mais harmônico,
principalmente quando são
pequenas.
Mas, mesmo no torno, os pratos apresentam
uma média de empenamento e rachaduras muito maior. Isso se deve ao fato de que
suas superfícies são mais planas do que os vasos cilíndricos, esféricos
e cônicos.
As formas
circulares se auto-sustentam, anulando as forças de contração desiguais que
podem ser geradas pela secagem acelerada. Já nos pratos pelo fato de
terem uma superfície bem ventilada (parte de cima) e outra muito abafada
(em contato com o apoio), é gerada uma secagem e encolhimento muito maior na
face arejada e muito menor na face “abafada”. Por
isso os pratos em geral empenam para cima na secagem.
Comentário:
A inclusão de um pouco de chamote na massa, o controle da atmosfera de secagem
com plásticos etc até um “ponto de couro” bem rígido, um bom amassamento
das argilas, paredes das peças de tamanho adequado, o uso de descansos de
madeira porosa (nunca use fórmica), a colocação das peças úmidas sobre
jornal etc, são algumas formas de se prevenir empenamentos e rachaduras.
Texto:
Prof. Tito Tortori
OBSERVAÇÃO:
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4.Por
que alguns livros e autores sugerem a calcinação de determinadas matérias
primas utilizadas em esmaltes e outros materiais cerâmicos?
A
calcinação é uma forma de antecipar algumas reações químicas à que estão
sujeitas algumas substâncias presentes nas matérias primas com aplicação em
cerâmica. Tecnicamente ela deveria ser realizada a uma temperatura entre 900º
e 1000ºC. Na prática a calcinação pode ser realizada durante uma
queima de biscoito que chegue a pelo menos 900ºC.
Ela só é
indicada para algumas matérias primas e, mesmo assim, quando elas entram em
grandes quantidades nos esmaltes cerâmicos.
A Calcinação
previne que essas reações químicas, como aquela que gera a liberação de
bolhas de gás, aconteçam durante a queima de esmalte ou queima de vitrificação.
Os motivos
pelos quais podemos ser obrigados a fazer a "calcinação" das matérias
primas são:
1.
Aumentar a estabilidade das matérias primas naturais brutas ou mal
"depuradas" quimicamente
(como no caso de alguns óxidos de zinco brutos).
2.
Diminuir o encolhimento
excessivo de materiais plásticos presentes no esmalte (caulim
e argilas) durante a queima.
3.
Fazer com que ocorram,
antes da queima de esmalte, as reações químicas que liberam gases, evitando
assim que surjam nos esmaltes aquelas incômodas bolhas ( podemos citar os
materiais carbonatados).
4.
Provocar a reação química
entre algumas substâncias para a formação de novos compostos (como no exemplo
dos pigmentos colorantes estabilizados ou BVs, onde um colorante pode, por ação
do calor, se combinar com um ou mais fundentes, gerando uma nova cor).
5.
Para produzir
determinadas matérias primas,como alguns óxidos colorantes (fios finos de
cobre podem ser colocados dentro de uma peça biscoitada e levados em uma queima
de biscoito para provocar a "oxidação" do cobre e a conseqüente
formação de óxido de cobre a partir do cobre metálico).
Obs:Em
geral não é necessária a realização de uma queima de calcinação, a não
ser que existam condições especiais.
OBSERVAÇÃO:
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5.Que
tipo de forno é indicado para queimar porcelana pintada à mão?
Uma
das formas de se classificar os fornos cerâmicos é de acordo com a sua
temperatura máxima de trabalho. Existem sob essa ótica, fornos para
baixas temperaturas (até 1050ºC), fornos para médias e altas temperaturas (até
1200ºC) e fornos para altíssimas temperaturas (acima de 1300ºC).
Os
materiais usados na fabricação do forno são específicos para cada uma das
faixas de temperaturas citadas acima. Assim, materiais como tijolos isolantes
(com vários teores de óxido de alumínio), materiais de isolamento secundário
(vermiculita, diatomito, manta etc), resistências elétricas (níquel/cromo,
cromel/alumel, arame de Kanthal) e até o tipo de pirômetro devem ser adequados
para a temperatura de queima proposta.
Uma
das formas que alguns comerciantes encontram para baratear os custos de um forno
cerâmico é exatamente usar materiais que estão abaixo das especificações mínimas
para cada faixa de temperatura. Nesse caso você terá uma vida útil muito
menor no seu forno cerâmico, pois ele foi mais barato, mas durará menos.
Todo
forno tem um período de vida útil proporcional ao número de queimas
realizadas na temperatura máxima de trabalho.
Se
você comprar um forno de 1050ºC poderá fazer queimas de decoração de
porcelana com facilidade.
Porém
se você conseguir um forno que queime até 1200ºC, terá uma margem bem maior
de segurança para o seu forno e ele terá uma vida útil muito maior, uma vez
que ele está preparado para agüentar
uma temperatura máxima de trabalho muito maior.
Este raciocínio vale para todas as faixas de temperatura.
OBSERVAÇÃO:
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6.Porque
quando colo duas partes em ponto de couro, devo arranhar (texturizar) e passar a
barbotina?
A argila só
manifesta a propriedade de aderir à outra massa caso haja umidade suficiente
nas duas partes. Elementos de argila plástica se "pegam" por pressão
sem a necessidade de barbotina. Caso um desses elementos de argila esteja no
ponto de couro já há a necessidade do auxílio da barbotina. Se as partes de
argila que devem ser "grudadas" já perderam uma boa parte da umidade,
a adesão fica prejudicada pois sem a água, não há plasticidade. E sem
plasticidade não ocorre a "pega" das duas partes em contato.
O objetivo da
barbotina é devolver uma parte da umidade perdida durante o processo
Já a função
da texturização é criar um aumento da superfície de contato para que a
umidade possa penetrar na massa já ressecada e melhorar a "colagem".
A
barbotina deve ser feita da própria argila de trabalho, pois assim o
encolhimento e a coloração da "junção" serão adequados.
A seguir
dicas fáceis e rápidas de como fabricar uma boa barbotina :
1. Tenha um
liquidificador ou um mix, que pode ser velho desde que seja funcional.
2. Tenha a mão
à argila de trabalho, vinagre, água, e uma peneira malha 30 (pode ser uma
daquele tipo de "cozinha").
3. Primeiro
coloque uns 200ml de água no liquidificador.
4.
Depois coloque a argila plástica em pequenos pedaços, deixando bater
bem...tudo.(Você vai precisar uns 300g da argila!)
5.
Acrescente umas duas colheres de sopa de vinagre durante a mistura. Isso
fará a barbotina "batida" encorpar muito e talvez seja necessário
acrescentar mais água, principalmente se o liquidificador ficar batendo em
seco!
6. Continue
batendo até conseguir uma barbotina lisa e de consistência encorpada (ponto de
iogurte)
7.
Passe tudo pela peneira e
coloque em um recipiente com tampa. Não esqueça de colocar etiqueta informando
qual argila usada.
8.
Pronto você já fez uma boa quantidade de barbotina. Essa dica pode também
ser usada para a confecção de engobes.
Obs: A função
do vinagre é acrescentar um teor de acidez à barbotina. As substâncias ácidas
aumentam a "adesão" entre as partículas de argila , facilitando
assim uma melhor colagem.
Uso obrigatório
da barbotina:
I. Duas peças no ponto de couro
II. Uma no ponto de couro e outra no ponto plástico ou de modelagem.
Uso opcional da barbotina:
III.
Duas peças no ponto plástico
OBSERVAÇÃO:
Caro visitante.
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7.Afinal a manta cerâmica é ou não é tóxica?
Existem
razões para termos dúvidas
em relação aos problemas que poderão ser provocados pelo uso de mantas cerâmicas
no isolamento de fornos mas, observamos,
que há um certo exagero quanto às dimensões dos males que poderão
advir aos ceramistas.
A
manta cerâmica não é tóxica, no entanto as partículas microscópicas
liberadas por esse material durante o manuseio do forno, quando inaladas podem
fazer mal à saúde. A manta é feita de argila ou caulim, que lançado num
forno em altíssimas temperaturas, ainda úmido, sofre um fenômeno muito
parecido com o da formação do
"algodão doce", ou seja, ele se estilhaça e forma fibras. Esse
material fibroso (de natureza argilosa), extremamente poroso, é que promove o
efeito "isolante" (quem isola na verdade é o ar
"aprisionado").
A
manta, com o decorrer das sucessivas queimas, começa a soltar minúsculas
fibras que por inalação podem se depositar nos delicados e flexíveis alvéolos
pulmonares, formando uma camada enrijecida que impede o funcionamento dos pulmões,
podendo gerar tumores, cânceres e enfisemas
Para
evitar esse inconveniente há uma boa solução. Podemos usar a manta como
camada intermediária (ou secundária) de isolamento, colocando-a por trás da
parede de tijolos refratários ou
isolantes. Nesta situação não haverá risco pois estará, aprisionada e
impossibilitada de liberar pó.