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OSIRARTE de Paulo Rossi Osir 

 

 

A OSIRARTE, Atelier de Arte Decoratica, empresa paulistana não mais existente, foi criada em 1940 pelo arquiteto e pintor Paulo Cláudio Rossi Osir (1890-1959), visando atender a uma grande encomenda de Painéis de Azulejos para o prédio do antigo MEC-Ministério da Educação e Saúde, hoje denominado Palácio Gustavo Capanema (Rua Graça Aranha-Centro/ Rio de Janeiro-RJ), em construção na época.

O prédio de 14 andares, apoiado em pilotis com 10 metros de altura, foi construído entre os anos de 1937/1945, (em plena 2ª Guerra Mundial), sendo considerado um ícone da arquitetura moderna brasileira e mundial.

Foi projetado por uma equipe de arquitetos composta por Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Jorge Machado Moreira, Afonso Eduardo Reidy, Carlos Leão e Ernani Vasconcelos, seguindo alguns princípios arquitetônicos sugeridos pelo famoso arquiteto Le Corbusier.

O projeto do Palácio incluiu grande número de obras de arte: pinturas de Portinari, Guignard e Pancetti, esculturas de Jacques Lipchltz, Bruno Giorgi, Celso Antonio Dias, Honório Peçanha, Leão Veloso e Adriana Janacopulus, Painéis de Azulejos de Portinari e Paulo Rossi Osir e jardins projetados por Roberto Burle Marx.

Face à sua importância, e particularidades do projeto arquitetônico, a edificação foi Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), três anos após sua inauguração ocorrida em 1945.

Em agosto de 2003 foi iniciado um movimento para que o Palácio Gustavo Capanema seja o primeiro prédio brasileiro a ostentar o título de Patrimônio Histórico da Humanidade. O pleito vai ser encaminhado à Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), visando o seu reconhecimento.

Paulo Rossi Osir estudou arquitetura e pintura na Itália, Inglaterra e França. No Brasil fez parte da vanguarda de artistas de São Paulo sendo um dos idealizadores, em 1937, do movimento de pintores denominado  Família Artística Paulista , que congregava artistas distanciados dos salões acadêmicos e do círculo dos modernistas.

Os trabalhos de Paulo Rossi apresentam grande domínio técnico. Suas telas, que foram incluídas em mostras coletivas no exterior (Milão, Paris, Buenos Aires e Nova York), retratam principalmente, paisagens, marinhas, retratos e naturezas-mortas. No Brasil, suas obras constam do acervo de importantes Museus e coleções particulares.

A encomenda feita para a OSIRARTE consistia em dois painéis de Cândido Portinari e outros de Paulo Rossi Osir, para cobrir as paredes externas e internas nos pilotis do prédio. São milhares de azulejos 10 cm x 10 cm, produzidos no período de 1941 a 1945, nas cores branca e azul (em diversos tons), cujo tema predominante é a fauna marinha.
 
Observe-se que, na época da construção, a edificação se encontrava perto do mar, próxima à rua Santa Luzia.
Hoje em dia a situação mudou inteiramente, em decorrência dos inúmeros aterros realizados no local, quando da re-urbanização da área. No solo criado existem atualmente muitos prédios e avenidas estando o litoral da Baía da Guanabara a mais de 1 km de distância.

Os dois Painéis de Azulejos com desenhos de Portinari, fixados em paredes planas, estão assim situados: um voltado para a Av Graça Aranha e o outro, em posição oposta, em parede interna, voltado para entrada principal - hall dos elevadores.

Os trabalhos de Paulo Rossi Osir, fixados em paredes curvas, estão situados na área interna dos pilotis. Os outros, fixados em paredes planas, são os “azulejos-padrão”, voltados para as ruas da Imprensa e Araújo Porto Alegre.

A OSIRARTE também produzia painéis de pequenas dimensões
- composições decorativas pintados por diversos artistas, compostos de um ou mais azulejos. Produzia também azulejos para uso em banheiros, lavabos, fontes etc.

A empresa  funcionou em vários endereços. Quando instalada na Alameda Barão de Limeira nº 117 comercializava azulejos pintados por diversos artistas da época. Na série denominada “Motivos do Folk-Lore Brasileiro” havia trabalhos compostos de um ou mais azulejos (15cm x 15cm), emoldurados como um quadro de parede. Veja abaixo, como exemplo, trabalho do Volpi com azulejo de 15 cm de lado.
 

 

Os principais temas abordados nesta série, voltada para cenas do cotidiano eram:

Feira, O Cabreiro, Vendedor de Galinhas, O Pipoqueiro, O Fruteiro, O Verdureiro, O Vassoureiro, O Peixeiro,
A Lavadeira, Fotógrafo Ambulante, Bairro das Lavadeiras, As Comadres, Domingo na Roça, Na Colônia, Quintal,
O Encontro, Os Namorados, Passeio ao Luar, O Mexerico, O Casamento, O Batizado, Família Caipira, Imigrantes, Chafariz, Piriquito da Sorte, Circo, Quermesse, Folia a Beira Dágua, Pescadores na Praia, Pescadores, Garimpeiros, Transporte do Mate, Chimarrão, Pouso de Índios, Índios Ribeirinhos, Carro de Boi, Colheita de Laranjas, Colheita de Algodão, Corte de Cana, Colheita do Café, O Saci-Perêrê, O Capora, Baiana Dançando, Dança Caipira, Orquestra Caipira, Os Cinco Batutas, Músicos Ambulantes, Volta da Festa, A Benção, A Reza, Procissão no Morro, Igreja no Vale, Bandeira do Divino, Reza da Cruz do Pontal e a série “Santos Queridos do Brasil”:  São Bom Jesus, Bom Jesus de Pirapora, Nossa Senhora da Aparecida, Nossa Senhora da Penha, São Pedro, São Francisco, Santo Antonio, São Benedito, São Jorge e São Miguel.


Trabalhavam para a OSIRARTE os seguintes artistas: Alfredo Volpi, Mario Zanine, Paulo Rossi Ossir, Giuliana Giorgi, Hilde Weber, Gerda Brentani, Ettore Boretti, Maria Wrochnik, Alice Brill, Ottone Zorlini, Frans Krajcberg, Ernesto de Fiori (alguns destes só participaram esporadicamente).

Observamos que havia trabalhos em co-autoria. Um dos exemplos mais significativos é a peça “Músicos no Coreto”, composto por 4 azulejos (15cm x 15cm), de Volpi e Zanine, cuja foto consta  do livro “Azulejaria Contemporânea no Brasil”, de autoria de Frederico Morais, que, infelizmente, encontra-se com as edições esgotadas (volume I/1988 e volume II/1990).

No volume II acima referido há referência, com fotos, sobre dois painéis de azulejos feitos na OSIRARTE. Ambos desenhos de Carybé ilustrando Macunaíma de Mario de Andrade. Um feito por Volpi em 1947 e outro, no mesmo ano, executado por Mario Zanine.

Outro Painel de Azulejos feito na OSIRARTE acha-se instalado em Belo Horizonte, no bairro da Pampulha, numa casa que pertenceu ao Presidente Juscelino Kubitschek. Neste trabalho a composição é de Volpi-Osir e a execução ficou a cargo de Volpi-Zanine.

 

 

 

Já foram identificamos os seguintes Painéis de Azulejos, de grande porte, feitos pela OSIRARTE,
nas décadas de 40 e 50 do século passado.

Portinari   Palácio Gustavo Capanema. Rio de Janeiro-RJ   OSIRARTE  1941/45  
Paulo Rossi  Palácio Gustavo Capanema. Rio de Janeiro-RJ   OSIRARTE  1946  
Burle Marx   Instituto Moreira Sales. Rio de Janeiro-RJ  OSIRARTE  1949  
Burle Marx   Clube de Regatas Vasco da Gama (Sede Náutica). 
Rio de Janeiro-RJ  
OSIRARTE  1950  
Portinari   Escola Municipal no Conjunto Pedregulho. Rio de Janeiro-RJ   OSIRARTE  1951  
Paulo Rossi Fundação Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro-RJ   OSIRARTE  1953  
Anísio Medeiros   Educandário Dom Silvério. Cataguases-MG   OSIRARTE  1954  
Portinari   As Quatro Estações. Prédio em Juiz de Fora-MG   OSIRARTE  1956
Poty Lazzarotto Praça 19 de Dezembro. Curitiba-PR OSIRARTE. Data não informada
Portinari Igreja da Pampulha. Belo Horizonte-MG OSIRARTE

Observações:
1. Há outros Painéis de Azulejos já pesquisados pelo
CERÂMICANORIO  que podem ter sido feitos pela OSIRARTE mas, até o momento, não obtivemos provas suficientes para confirmar a origem por falta de identificação de autoria na superfície vidrada dos mesmos.
2. Em alguns painéis constam informações sobre a autoria, o material e onde foram cozidos (queimados), vide exemplos abaixo:

 

 

 

Pesquisa, texto e fotos: Renato Wandeck
Outubro de 2003

Clique  abaixo:
Painéis de Azulejos, Pastilhas, Mosaicos, Vidrotil etc no Rio de Janeiro e outras cidades.

 

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