![]()
Projeto
Oficina de Cerâmica para Reabilitação de Portadores de
Deficiência Visual do IBC-Instituto Benjamin Contant.
Rio de Janeiro-RJ.
●
Texto: Clara Fonseca ceramista com ateliê no Rio de Janeiro-RJ.
|
É muito bom para mim
e para minhas companheiras ceramistas, poder repartir uma experiência tão
rica e fértil como a que temos vivido junto aos portadores de deficiência
visual do Instituto Benjamin Constant (IBC). |
![]() |
| Esta oficina oferece às
pessoas com deficiência visual, em primeiro lugar, um meio valioso de
apreciar e trabalhar a forma estética, mediante o sentido tátil,
encarado não como um substitutivo a ser arduamente trabalhado, mas sim
como ferramenta sutil e preciosa a ser aperfeiçoada. Além disso, a
auto-expressão concretizada no 'fazer cerâmico' proporciona aos
deficientes visuais oportunidades raras, tanto do ponto de vista da
qualificação profissional - na medida em que o Projeto se propõe a formar artesãos
ceramistas - quanto do ponto de vista terapêutico-ocupacional, uma vez que a
prática da arte cerâmica engendra uma série de possibilidades, como a
descoberta de vocações e talentos, de forma que esses alunos tenham a
chance, também rara, de satisfazer uma das necessidades básicas de todo
ser humano - a necessidade de expressão da subjetividade.
Já em 2003, a oficina atingiu um público de 20 alunos, entre adolescentes da escola e adultos reabilitandos, culminando com uma exposição de peças criadas para um presépio natalino (capa da revista Benjamin Constant n° 27).
Em função da procura crescente de
interessados pela oficina, o IBC garantiu um espaço mais amplo para a
atividade, assim como foi adquirido o forno, necessário para a etapa
final da confecção dos objetos, que é a queima das peças. Desta forma,
todo o processo produtivo da cerâmica pode acontecer dentro das instalações
do IBC. |
Algumas adaptações foram feitas por percebermos que as
ferramentas usuais para o trabalho com a argila afastam a mão do objeto
que está sendo confeccionado, o que dificulta a identificação.
Utilizamos moedas para trabalhar o interior das peças e chapinhas
finas de aço para a parte externa no momento de fazer o acabamento. Desta
maneira, a mão não se afasta muito da peça. Para decoração, usamos
pintura a dedo com argilas coloridas, em vez do pincel, o que dá um lindo
resultado. |
Clara Fonseca estudou Design Cerâmico na Chelsea School of Art, Inglaterra. Montou a escola e o curso de cerâmica da Fundação Mokiti Okada, no Brasil. Participou de exposições no Brasil e na Europa. Fez palestras e workshops de técnica cerâmica no Rio de Janeiro e Curitiba.
●
Fonte: Benjamin Constant - Publicação técnico-científica do
Centro de Pesquisa,
Documentação e Informação do IBC/IBCENTRO, número 30, ano II, abril
2005.
Av Pasteur 350-Urca - CEP 22290-240