ARTE  POPULAR  CERÂMICANORIO
www.ceramicanorio.com

VALE DO JEQUITINHONHA-MG

 

      O Vale situa-se no norte do Estado de Minas Gerais-MG sendo banhado pelo rio Jequitinhonha e seus afluentes.

      Ocupa uma área de mais de 85 mil km² onde vivem 1 milhão de pessoas, aproximadamente, distribuídos em cerca de 80 municípios sendo considerada uma das regiões mais pobres do Brasil.
A maior parte do solo é árido sendo castigado regularmente por secas e enchentes. 75% de sua população vive na área rural praticando uma rudimentar agricultura e pecuária.
 
       A região no passado era formada por florestas e habitada por tribos indígenas. O que mais contribuiu para a degradação da região foi a atividade predatória da mineração e extração do diamante.

       No Vale do Jequitinhonha  produz-se um excelente e criativo artesanato em  Cerâmica, Tecelagem, Cestaria, Esculturas em Madeira, Trabalhos em
Couro, Bordados, Pintura, Desenho, Música.

       Os principais pólos da atividade cerâmica são as cidades: Itinga, Araçuaí, Santana do Araçuaí, Turmalina, Caraí, Itaobim, Taiobeiras, Padre Paraíso, Joaíma e Minas Novas.

       Os mais famosos ceramistas  são:  Isabel Mendes da Cunha; João Pereira de Andrade, seu genro casado com sua filha Glória Maria, também ceramista;  Ulisses Pereira Chaves;  Noemisa Batista da Silva; Raimunda da Silva (Dona Mundinha); João Alves e  Dona Pedra.

     Os trabalhos com barro no Vale iniciaram-se com a confecção de peças utilitárias que eram feitas pelas mulheres chamadas de paneleiras. A tradição manteve-se através das gerações- bisavós, avós, mães e filhas. Faziam moringas, vasilhas, panelas, potes etc, tudo com uma marcante influência indígena.  Produziam também figuras para adornar Presépios e brinquedos utilizados pelas crianças.

      Com o passar do tempo passaram a produzir peças decorativas “de enfeite” como dizem. Figuras humanas, animais, cenas do cotidiano, tipos, usos e costumes da região.

      No processo usam rudimentares fornos a lenha, a técnica dos roletes (cobrinhas), ao invés do torno de oleiro, placas e toscas ferramentas. Os pigmentos usados na decoração (pintura) são naturais extraídos de barro encontrados nas muitas jazidas de argila da região.
 
      A grande melhoria na vida dos artesãos ocorreu com a criação, na década de 70, da CODEVALE-Comissão de Desenvolvimento do Vale do Jequitinhonha. A entidade recolhia a produção dos artistas e revendia os produtos, principalmente em Belo Horizonte. Esta atuação oficial incentivou bastante o artesanato trazendo uma significativa melhora no nível de vida dos moradores.

      Atualmente em Santana do Araçuaí, terra da famosa ceramista Dona Isabel, existe a Associação dos Artesãos de Santana do Araçuaí, entidade criada em 1989, que promove Oficinas para os seus membros e comercializa em sua sede a produção cerâmica de seus associados, tanto utilitárias quanto decorativas: bonecas de variados tamanhos, flores, moringas, jarras, potes, sopeiras, saladeiras, fogareiros, galinhas, jogos para feijoada, miniaturas, farinheiras, cinzeiros, vasos, figuras de presépios etc

ISABEL MENDES DA CUNHA
JOÃO PEREIRA DE ANDRADE      
ULISSES PEREIRA CHAVES
NOEMISA BATISTA DA SILVA      

RAIMUNDA DA SILVA (DONA MUNDINHA)
JOÃO ALVES
DONA PEDRA

 Pesquisa e texto: Renato Wandeck

 
 

Existe uma publicação: “Descendo o Rio– os caminhos da cerâmica do Vale do Jequitinhonha” de Vilmar Oliveira (fotógrafo), em português, espanhol e inglês, que em 160 páginas, apresenta, com fotos de trabalhos, dezenas de artistas do Vale. Há também mapas indicativos e contatos com pousadas etc.
Informações:
catalogoartesanato@gmail.com  ou (31) 9208-9537.

Volta Arte Popular

 
Ir Página Principal:     CERÂMICANORIO   www.ceramicanorio.com