ARTE  POPULAR    CERÂMICANORIO
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                                                              Tracunhaém-PE

 

      A cidade de Tracunhaém está situada na zona da mata pernambucana, distante 72 km do Recife. A cerâmica artesanal domina a atividade econômica da cidade. Há dezenas de ateliês e oficinas trabalhando com barro. A fama do local decorre do trabalho de seus artistas, sendo considerada um dos maiores centros de excelência na arte cerâmica em nosso país.

      Foi na década de 60 que surgiram os primeiros artesãos modelando com argila figuras de santos, animais, objetos utilitários e decorativos (potes, tigelas, etc). Desde então a arte de modelar com barro foi-se tornando, progressivamente, conhecida e prestigiada. Muitos dos artistas têm seus trabalhos expostos em museus brasileiros e estrangeiros,
e no acervo de importantes coleções particulares.

      Um dos maiores incentivadores desta atividade em Tracunhaém foi o colecionador pernambucano Abelardo Rodrigues. Graças ao seu interesse esta arte interiorana, com raízes sertanejas, chegou e foi aceita nos grandes centros - admirada pela sua originalidade e criatividade.

      Veja abaixo alguns dos mais famosos ceramistas de Tracunhaém.


       Nuca-Manoel Gomes da Silva, nascido em 1937, e sua esposa Maria, são famosos pela confecção de  leões sentados, com jubas exuberante. Mestre Nuca também faz outras figuras: peixes, galinhas etc. Suas peças são queimadas em forno a lenha e não são esmaltadas-terracota.
http://www.ceramicanorio.com/artepopular/tracunhaem/mestrenuca/mestrenuca.htm

 
 

       Zézinho-José Joaquim da Silva nasceu em 1939. Juntamente com sua esposa Maria e os filhos Nildo, Claudio e Nando,  modela temas religiosos. Confeccionam peças sacras, santos, principalmente, com riqueza de detalhes e proporções harmoniosas. Alguns trabalhos chegam a medir 2 metros de altura. Zézinho de Tracunhaém como é chamado começou a se tornar conhecido nacionalmente incentivado pelo colecionador pernambucano Abelardo Rodrigues.
Suas peças são queimadas em forno a lenha não sendo esmaltadas nem pintadas-terracota.
Conheça seu trabalho:
http://www.ceramicanorio.com/artepopular/tracunhaem/zezinho/zezinho.htm

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       Maria Amélia da Silva nascida em 1924 é conhecida pela modelagem de santos com rostos expressivos, corpo largo e mantos pregueados. Suas peças são queimadas em forno a lenha e não são esmaltadas-terracota.
Conheça seu trabalho:
http://www.ceramicanorio.com/artepopular/tracunhaem/mariaamelia/mariaamelia.htm  

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         Baé-Manoel Leão Machado faleceu em 2002. O seu trabalho mais conhecido é a modelagem de casais dançando.
Suas peças eram queimadas em forno a lenha e não eram esmaltadas-terracota.
Conheça seu trabalho:

http://www.ceramicanorio.com/artepopular/tracunhaem/bae/bae.htm
 

         Betinho-Carlos Roberto Gomes da Silva ,da nova geração, nasceu em 1959. Tem como característica esculpir
peças com enfoques eróticos. Seus trabalhos diferenciam-se dos demais da região, tanto pela forma quanto pelos temas.
Conheça seu trabalho:
http://www.ceramicanorio.com/artepopular/tracunhaem/betinhocarlosroberto/betinhocarlosroberto.htm
 

         Amaro e Berenice. Amaro Manoel dos Santos (1937-    ) é casado com Berenice Maria dos Santos (1945-    ). O casal produz principalmente peças utilitárias-pratos, panelas, travessas etc.
Atualmente são os únicos da cidade que fazem regularmente queima de esmalte. Este procedimento visa obter um revestimento vítreo nas peças tendo em vista a finalidade das mesmas de acondicionar alimentos. Berenice modela
também peças decorativas-abacaxis etc.
Conheça seu trabalho: http://www.ceramicanorio.com/artepopular/tracunhaem/amaroeberenice/amaroeberenice.htm  
 

         Nilson de Tracunhaém é "santeiro". Durante muitos anos trabalhou com Zézinho de Tracunhaém.
Conheça seu trabalho:
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SANTEIROS DO BRASIL  
 

 

       Existem muitos outros ceramistas  em Tracunhaém que fazem peças utilitárias, decorativas-imagens sacras, esculturas etc: Álvaro, Antonio de Pimpo, Domingos, Dona Lurdes, Dulce, Heleno Pedrosa, Ivaldo e Paulo, Joaquim Alves, Leninha, Luiz Gouveia, Lurdes, Leninha, Paulo, Miguel, Manuelzinho, Mário, Nina Vieira, Nino, Netinho, Noêmia, Possidônio, Romildo Zefinha, Sussula, Tibúrcio,  Silvio, Titino, Tonho de Nilson, Vavá e Tambinha, Tiburcio e Silvio, Zé Felix (Dahora), Zé Jardim, Zuza e outros. Alguns têm ateliês/oficinas próprias outros expõem e comercializam seus trabalhos no Centro de Produção Artesanal - cooperativa de artesãos da cidade onde são vendidas peças sacras, decorativas e utilitárias. Endereço: Praça Costa Azevedo. Tel: (81) 3646-1208 das 7h/19h.

     A maioria dos ceramistas de Tracunhaém modela sem o uso do torno de oleiro. Quanto à queima todos usam rústicos forno a lenha sendo raros os que aplicam esmaltes vítreos.O acabamento final é em terracota, no entanto, alguns decoram suas peças, atualmente, pintando com tintas comerciais.
 
     Muitos artesãos, já falecidos, deixaram escola  em Tracunhaém. A família Vieira é responsável por um significativo legado.

       Lídia Vieira (falecida em 1974, aos 63 anos, é a mais famosa).Seus irmãos também trabalhavam com o barro. Antonia da Conceição (Toinha), José Antonio Vieira e Regina Conceição, todos seguindo os passos dos pais, que eram louçeiros. 


      Lídia Vieira (1911-1974), casada com Severino de Tracunhaém, nasceu e viveu na cidade. Começou fazendo pequenas peças: Casa de Farinha, Meninos Brincando de Roda, Casamentos e Santos. Posteriormente passou a modelar esculturas maiores, sempre figuras femininas, medindo de 30 a 40 cm. Suas peças eram só cozidas-terracota-sem decoração com tinta ou esmalte. Suas esculturas femininas tinham como característica  apresentar mantos pregueados com desenhos em baixo-relevo e linhas pontilhadas, feitas com palito de fósforo. Outra constante de sua criação era a semelhança de suas esculturas com sua própria pessoa, meiga e frágil.

       Severino de Tracunhaém - Severino Gomes de Freitas, (1916-1965), casado com Lídia Vieira, era considerado o “maior dos bonequeiros”. Suas esculturas apresentam uma exuberância de detalhes num estilo próprio. Confeccionava bichos, estranhas figuras antropomorfas e peças figurativas do sertão: Padre Cícero, Cristo, Beatos, Frades, Missionários e outros temas.
 
       José Antonio Vieira-(Zeca) ,
irmão de Lídia Vieira, fazia jarros enfeitados com bichos, desenhos e moringas antropomorfas.

        Antônia da Conceição Vieira (Toinha)
, irmã de Lídia Vieira, fazia paliteiros, galos, tigelas redondas e outras coisas. Modelava na mão e na “marca” (molde usado para imprimir flores e outros enfeites). Esporadicamente esmaltava com zarcão.

         Regina Conceição , irmã de Lídia Vieira, tinha como característica a modelagem de santos com pequenas dimensões, formas singelas e poucos adornos. São Pedro, São José, São Francisco e Lapinhas eram as imagens preferidas.

        João Prudêncio, sobrinho de Lídia Vieira, trabalhava junto com a família. Fazia santos parecidos com os da tia, porém com forma mais alongada-esguios.
Durante certo período foi o responsável pela pesada tarefa de obter e preparar o barro para todos.

        Antônia Leão (Antônia Bezerra Leão)
nasceu em 1914 e já é falecida. Desde os 10 anos fazia bichinhos de barro que o pai levava para vender na feira. Aprendeu a trabalhar de verdade com Seu Luiz, um frade que morava em Goiana-PE, cidade em que viveu por uns tempos. Sua peça mais famosa foi Macaco-Músico atendendo  a uma encomenda de 200 peças de uma loja de Recife. Esculpia Santo Antônio, São Francisco, Nossa Senhora e outros temas religiosos.
Conheça seu trabalho:
http://www.ceramicanorio.com/artepopular/tracunhaem/antonialeao/antonialeao.htm


         Severina Batista  filha de louceira nasceu em Tracunhaém por volta de 1935. Durante muito tempo trabalhou na roça junto com seu marido. Só em 1973 é que começou a modelar com barro. Fazia santos católicos, bichos e figuras zoo-antropomorfas. As peças eram queimadas em forno a lenha, sem esmaltação. Seu marido participava do processo ajudando na pesada tarefa da queima no forno, no preparo do barro e no acabamento das peças.

       Luís e Elisete.  Luiz Tude da Silva nasceu em 1939. Depois de tentar a vida em São Paulo retornou para Tracunhaém e casou com  Elisete Tude da Siva, nascida em 1944, artesã que já trabalhava com barro há muito tempo. Luís começou fazendo bichos: cachorro, tatu, gato, tigre e uns bonecos. Depois passou a fazer santos: São José, Nossa Senhora, Santana  e outros.
Interessante notar que os dois trabalhavam juntos mas as peças eram só assinadas  pelo marido.Observamos que esta prática era comum, no passado, entre marido/mulher, pais/filhos, e entre amigos e companheiros.
Os santos confeccionados pelo casal eram muito parecidos com os que Zézinho de Tracunhaém fazia. Isto, inicialmente, deu atrito entre eles mas depois se acertaram e Zézinho não mais reclamou do companheiro de ofício.
Havia, no entanto, uma diferença marcante se comparados os trabalhos de ambos. A cor das peças de Luís eram cinza-chumbo, tonalidade escura, já que aplicava na peça pó de serragem quando do cozimento. Este procedimento, numa queima em forno a lenha, provoca manchas escuras que se destacam da cor natural do barro queimado-terracota.


Pesquisa e texto
: Renato Wandeck
 
Bibliografia:
O Reinado da Lua: Escultores Populares do Nordeste
Silvia Rodrigues Coimbra, Flávia Martins e Maria Letícia Duarte.
Salamandra,1980.

 


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