ARTE
POPULAR
CERÂMICANORIO
www.ceramicanorio.com
![]()
CERÂMICA
DE RIO REAL-BA
Bordados
em Tauá
|
|
Rio Real
fica norte do estado da Bahia, distante 202,5 km de Salvador, na margem esquerda
do rio Itapicuru, separado do estado do Sergipe pelo rio Real. A cidade é uma das principais representantes da produção oleira do estado da Bahia no que se refere ao artesanato popular. |
Dona
Maria da Graça, nascida em 1930, é a ceramista mais idosa do lugar. Atualmente
não faz mais louça por sentir-se cansada, não enxergar bem e ter dificuldade
de sentar no chão e "e pote e porrão só se faz no chão".
No entanto tem nostalgia e orgulho do tempo que produzia e comercializava suas
peças. No passado algumas foram adquiridas pelo governo para presentear
visitantes ilustres. Os
trabalhos feitos com barro em Rio Real representam claramente a expressão técnica
e artística de um artesanato que absorveu a fertilidade criadora da cerâmica
indígena, já existente quando do descobrimento, e a influência cultural dos
colonizadores portugueses. Vale
ressaltar o fato de que a técnica
de produção, o conhecimento de como fazer, tem sido transmitido de geração
para geração, sendo crível supor que continuará a ser preservada a tradição
da arte do barro na cidade de Rio Real. Na localidade de Carro Quebrado encontram-se as oficinas da maioria das louçeiras. Os objetos produzidos são feitos com as mais variadas formas e desenhos para uso utilitário ou decorativo: porrões, potes, moringas (no formato de pitanga ou galinha), talhas, mealheiros, alquidares , panelas etc. |
|
|
![]() |
Após a
peça ter sido levantada é a hora de dar acabamento o que se faz raspando os
excessos com uma faca. Em seguida passam-se várias demãos de Tauá, pigmento
natural feito com barro (engobe), responsável pelo tom avermelhado que a peça
obtém depois de pronta. A etapa
seguinte é "brunir" com "olho-de-boi", (semente de mucunâ)
para dar o brilho e ajudar a fechar os poros da argila tornando-a mais impermeável. A pintura decorativa, riscos e desenhos, chamados de "bordados" é feita com o próprio barro usado na modelagem da peça diluído em bastante água. Como pincel usa-se um "insope", ou "isope", que consiste num talinho de "pindoba" (Attalea compta) com um pedaço de pano ou algodão enrolado na ponta. Há pelo menos três padrões básicos: "bico-de-renda", "ramagem" e "flor", nítida influência dos colonizadores, referência explícita das toalhas, rendas etc usadas no cotidiano das famílias. Outro
tipo de decoração utilizada é o alto-relevo. Consiste em anexar à peça
adornos de formas variadas usando-se a mesma argila. O barro
da região, de cor escura, é extraído de diversas jazidas. Após ser queimado,
ir ao forno, fica com uma tonalidade clara em conseqüência
da eliminação de matérias orgânicas.
O
principal barreiro encontra-se no lago Salgado Grande. Neste local cavando-se um
ou dois metros abaixo do "massapê" se obtém
um barro que na maioria das vezes atende às necessidades do trabalho. No
entanto, usa-se também misturar argilas de locais diferentes. A sabedoria do
local diz:"barro bom se conhece no dente: se não trincar quando morder,
é bom; se trincar, tem pedra, e se não limpar,não tirar as pedras, a peça
estoura,dá pipoco quando vai ao forno". Ou seja tem muita areia
misturada. O
preparo do barro para o uso na modelagem visa eliminar impurezas e desfazer caroços
endurecidos. O barro é "pisado" (amassado com auxílio de pedras) ou "cortado" (amassado com enxada), e depois
peneirado. Não é
costume da região os homens fazerem louça como sempre aconteceu com os índios.
Cabem a eles outros tipos de trabalhos. Os mais significativos
são a extração e o transporte do barro, o corte da lenha para ser
usada na queima no forno, e a árdua tarefa de enfornar e desenfornar (colocar e
retirar as peças do interior do forno). A queima
é feita uma única vez, monoqueima, em baixa temperatura, com o forno coberto, sendo considerada a parte mais difícil do
processo. Cada louçeira possui seu próprio forno no quintal de casa. A duração
do ciclo varia de 9 a 12 horas.
Inicia-se com pouca lenha que vai queimando devagar e no correr das horas vai-se
acrescentado mais para aumentar a chama. Após um período, quando o carvão
tiver se transformado em cinza e as peças estiverem incandescentes, brancas,
alvas, deixa-se de alimentar a grelha até que a lenha se transforme em cinza. Feito isto é a hora de fazer o fogo subir: "embuchar", "bota
a bucha", "bota o arrolho", "botar muita lenha" - aí o
fogo!... sobe por uma hora ou mais". É o grande momento se "embuchar
errado dá pipoco". O próximo
passo é desenfornar o que só pode ser feito após muitas horas com as peças já
frias. Outra
utilização do barro na região é na produção de telhas, tijolos, blocos etc
em olarias existentes nas proximidades do lago Salgado Grande. A cidade
de Barra e outras tem sido assistidas pelo
Instituto de Artesanato Visconde de Mauá, coordenador de
políticas para o artesanato baiano, cujo trabalho juntamente com os Municípios,
é direcionado no sentido de resgatar
antigas tradições da cultura popular com o objetivo de manter vivo o
artesanato do estado da Bahia. Sua atuação ocorre através da aplicação de
programas que visam o incremento da produção com geração de emprego e renda,
a divulgação da atividade artesanal e o escoamento da produção através da
comercialização direta com o público consumidor, eliminando a atuação dos
intermediários. Os
trabalhos de inúmeros artistas de Barra foram expostos na Sala do Artista
Popular, no Museu de Folclore Edson Carneiro, no Rio de Janeiro-RJ, do Centro
Nacional de Folclore e Cultura Popular/CNFCP, da FUNARTE
em maio/junho de 2001 com a colaboração do Conselho da Comunidade Solidária
apoiada pelo SEBRAE, a Prefeitura Municipal de Rio Real e o Instituto Mauá de
Salvador-BA. |
|
Bibliografia: |
| Ir Página Principal: | CERÂMICANORIO www.ceramicanorio.com |