ARTE
POPULAR CERÂMICANORIO
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Panela
de Barro
Paneleiras
de Goiabeiras
Vitória-ES
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As Paneleiras
de Goiabeiras, assim chamadas por ser a maioria das artesães mulheres, residem
no bairro de Goiabeiras, em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo. Com competência confeccionam, em barro, panelas, potes,
travessas, bules, caldeirões, frigideiras etc, de diversas formas e tamanhos. O
processo de fabricação é praticamente o mesmo que os índios usavam quando
aqui aportaram os portugueses na época do descobrimento. Anteriormente, as Paneleiras
trabalhavam individualmente em suas próprias casas. Atualmente, mais
organizadas, estão agrupadas na Associação
das Paneleiras de Goiabeiras, uma espécie de cooperativa. A Associação já se tornou um dos pontos turísticos da
cidade, sendo visitada, regularmente, por turistas interessados em adquirir as
peças e ver como as mesmas são confeccionadas. A principal matéria prima, o barro, é extraído na própria região,
em jazidas do Vale do Mulembá. A argila, antes de ser usada, passa por um
processo para "limpar" denominado "escolha", que consiste na
retirada de impurezas, como pedras e restos de vegetais. Em seguida, devidamente
envolta em plástico para manter a umidade, fica armazenada, descansando, por
uns tempos antes de ser usada. A modelagem das panelas é feita manualmente, sem o uso do torno
de oleiro. Certamente a característica mais marcante das panelas é a sua
coloração escura. Isto é obtido por meio da impregnação da peça com tanino,
existente na árvore do mangue-vermelho-"rhizophora mangle". A aplicação do tanino nas panelas é feita batendo-se,
vigorosamente, com uma vassourinha embebida com o mesmo, na peça ainda quente,
imediatamente após ter saído do fogo. Este processo de impregnação é
conhecido como "açoite". Como resultado, o tanino penetra nos
poros da cerâmica, cobrindo fissuras e tornando-a impermeável, servindo também
para impedir a proliferação de fungos, que, com o correr do tempo, esfarelam o
barro. Observe-se que a coloração escura da panela permite uma melhor
concentração do calor, facilitando o cozimento e a conservação dos
alimentos. O processo consiste em empilhar as panelas sobre grossas toras de
madeiras, formando o que chamam de "cama", para permitir, deste modo,
a circulação do ar pela parte inferior. Nas laterais e em cima, são colocados
pedaços menores de madeira.
O fogo é ateado em uma das extremidades, na "cabeceira da cama", que
com a ajuda da ventilação natural se expande por todo o conjunto.
Dependendo do número de peças, o cozimento pode durar uma ou muito mais
horas. Digno de nota é o fato da queima ser ecologicamente correta, já que não desmata árvores da região. Para fazer o fogo usam-se restos de madeiras, principalmente da construção civil. Apesar deste tipo de madeira nem sempre possuir o melhor poder calorífico, o resultado final é satisfatório desde que o calor produzido seja intenso, uniforme e dure o tempo necessário. |
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| Para facilitar o armazenamento, são feitas panelas grandes, que são chamadas de mães, e pequenas, de filhas. Acondicionam as pequenas, dentro das grandes, formando uma "casada". Alguns modelos possuem asas, chamadas de "orelhas", que facilitam o manuseio entre o fogão e a mesa. Usa-se também apoiar as panelas em armações de ferro, quando levadas à mesa. |
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O mais famoso prato da cozinha capixaba é a
moqueca, de peixe e camarão, que sempre é servida com o
acompanhamento de arroz, pirão e molho. Outro prato muito apreciado é a torta
feita com caranguejo e siri picado, ostra, sururu, peixe, camarão, ovo,
palmito natural, tudo temperado com coentro, alho, cebola, tomate, pimenta, sal
e azeite. É voz corrente que a moqueca e a torta capixaba ficam com
melhor sabor quando feitas e servidas em panelas de barro.
Costuma-se dizer: "moqueca, só capixaba, o resto é peixada".
De fato é maravilhoso ver as postas de peixe assentadas no caldo, borbulhante,
de cor vermelho-alaranjada, com pedaços de tomate e cebola, salpicado de
coentro. As panelas, caldeirões, frigideiras, feitas em Goiabeiras, vão
direto ao fogo. No entanto, antes do primeiro uso, devem ser untadas com óleo e
deixadas queimar até secar. Após esta preparação, estarão prontas para o
uso. Para se ter a exata dimensão da importância desta atividade
cultural, foi aprovado pelo IPHAN
(Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em reunião de
21/11/02, o registro do ofício das Paneleiras de Goiabeiras para ser inscrito no
Livro de Registro dos Saberes e
declarado Patrimônio Cultural do Brasil. |
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Para contato o telefone da
Associação
das Paneleiras de Goiabeiras é: 0xx27 3327-0519. Comprando-se diretamente das artesãs garante-se a qualidade e a autenticidade do produto. Endereço: Rua das Paneleiras 55-Goiabeiras Vitória-ES CEP: 29075-105 rosemarypaneleira@ig.com.br http://www.paneleirasdegoiabeiras.hpgvip.ig.com.br/ |
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Pesquisa,
texto e fotos: Renato Wandeck |
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