ARTE  POPULAR  CERÂMICANORIO
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Veja no final trabalhos de  José Geraldo Germano, Newton de Souza, Raquel Sant'Ana dos Passos
e Thais Haderbeck de Oliveira, ceramistas de São José-SC.


Olaria  Beiramar
São José-SC

 

 
 

Na Olaria Beiramar o ensino do torno se dá através da roda de oleiro tradicional
feita de madeira e movida com os pés - um verdadeiro resgate das tradições açorianas.

 

Trabalhos de alunos

 

 
 

 
 

 
 

    
     A  Olaria Beiramar,  no município de São José-SC, criada em 2005 por José Geraldo Germano, Adriano de Brito e Newton Souza, oferece à população oficinas de cerâmica regional utilitária e figurativa objetivando manter, valorizar e preservar a cultura trazida para a região pelos  imigrantes vindos das ilhas de Açores
. Está vinculada à Fundação Municipal de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal.

     No século XVIII açorianos imigraram para o norte e sul do Brasil, principalmente para Santa Catarina, trazendo o conhecimento de vários ofícios dentre eles a olaria/cerâmica. Observamos que em São José, havia, em 1940, cerca de 50 olarias em funcionamento produzindo peças utilitárias – caçarola, alguidar, mata-fome, boião, moringa, sopeira, açucareiro, frigideira, bule, chaleira, xícara, pires etc - mercadorias que atendiam toda a demanda da região e de cidades e estados próximos.

     Digno de nota é o fato de a arte do torno ser ensinada, atualmente, na Olaria Beiramar, com a roda de oleiro tradicional feita de madeira e movida com os pés – tradição de seus antepassados açorianos. Outras técnicas de modelagem como maciço ocado, rolinho e placa também são oferecidas aos alunos além de decoração com engobe, esmalte e pintura a frio, em aulas na parte da manhã e da tarde. Quanto às queimas, são realizadas em forno elétrico

     Na Olaria são confeccionadas peças utilitárias e decorativas. Há artistas que retratam manifestações folclóricas, como o Festa do Divino Espíríto Santo, a Procissão do Senhor dos Passos, o Boi-de-Mamão, o Pau de Fitas, o Terno de Reis, o Pão-por-Deus, e ainda Presépios e Lavadeiras etc, trabalhos vendidos para turistas, e outros consumidores, diretamente ou em lojas.

     São José, antes denominada São José da Terra Firme, cidade litorânea, com cerca de 200.000 habitantes-IBGE/2008, situa-se a 6 km da capital do estado, Florianópolis, hoje também conhecida como Floripa. A área cultural, no município, é bem assistida através da Casa da Cultura, Museu Histórico, Arquivo Histórico, Teatro Adolpho Mello, Biblioteca Pública, Centro Multiuso, Olaria Beiramar e Escola de Oleiros. Todos estas entidades trabalham, de forma integrada, desenvolvendo projetos, políticas e normas relativas ao incremento da cultura e ao turismo, assegurando a preservação e recuperação do patrimônio histórico, com a conseqüente geração de emprego e de renda na região.

     A vinda de milhares de imigrantes açorianos para o Brasil – denominados Casais Açorianos, para colonizar nosso país, tinham dois objetivos principais: o primeiro se referia à necessidade do reino de Portugal ocupar o território; e a segunda, permitir que parte do povo, pobre e carente, do arquipélago português de Açores - sem terras, vivendo com dificuldades, basicamente da agricultura e pecuária, com o agravante de que padeciam de constantes abalos sísmicos- tivesse a oportunidade de melhorar suas condições de vida. Havia, por parte deles, um enorme desejo de partir em busca de oportunidades em outras terras, principalmente no Brasil – de cujas riquezas e oportunidades ouviam falar, através dos navegantes que lá aportavam. O movimento migratório foi organizado e financiado, inicialmente, por autoridades locais, em defesa de seus interesses, e posteriormente por política de estado do próprio Rei de Portugal.

     Os açorianos, povo simples e alegre, trouxeram conhecimentos técnicos, tradições, usos e costumes que continuam vivos até hoje: festas religiosas, variado artesanato inclusive a renda, a arquitetura colorida e a pesca, além do gosto pela música, pela dança e pela culinária, à base de peixe e camarão. A respeito da pesca, é importante observar que hoje não mais são capturadas baleias na costa catarinense, pois são protegidas por leis ambientais.

      Casais Açorianos -
Foram constituídos por famílias com filhos, acompanhados por parentes - irmãos, tios, primos etc. Os açorianos foram o  povo ilhéu escolhido pela Coroa portuguesa para imigrar para o Brasil - todos com muita vontade de vencer. Com sacrifícios, derrotas e vitórias, os açorianos deixaram uma marca indelével de energia na maneira de ser dos brasileiros, seus descendentes. Cumpriram um deslocamento humano definitivo não havendo, em nenhum momento, a intenção futura de regresso ao torrão natal. Mais adiante, na condição de soldados, na maioria voluntários, trabalharam na defesa do nosso território.


Pesquisa, texto e fotos: Renato Wandeck

Endereço:
Olaria Beiramar
Av Beiramar próximo à Fundação de Esportes.
Contato: (48) 3241-4992
olariabeiramarsj@ig.com.br

 


Exposição

 

     A Olaria Beiramar promoveu, em maio/09, no Museu Histórico de São José a exposição Os Quatro Poentes do Barro apresentando trabalhos dos artesãos/artistas José Geraldo Germano e Newton de Souza, fundadores e mestres da Olaria,
e as alunas
Raquel Sant'Ana dos Passos
e Thais Haderbeck de Oliveira – vide fotos abaixo.


José Geraldo Germano
usa técnica de roda de oleiro tradicional. Seu tema principal é religioso. Coroa do Divino, Presépio, Castiçal, Cruzeiro etc.
Na decoração usa engobes e esmaltes.


Newton de Souza
usa roda de oleiro tradicional. Confecciona peças no estilo figurativo, com pintura policromada,
retratando tipos, usos e costumes da região.
Nos trabalhos abaixo o artista representa uma cena tradicional da cultura de São José - lavadeiras que faziam uso da
fonte de água denominada  Bica da Carioca, na década de 40 e 50.
Dona Arminda, Dona Madalena, Dona Soli, Dona Maria,
Dona Tomásia, Dona Otilia, Dona Olga, Dona Maria do Lino, Dona Gigi, Dona Aninha, Dona Madalena, Dona Alcina
- ainda viva com 96 anos em 2009, e outras.


Raquel Sant'Ana dos Passos
 é aluna da Olaria e modela figuras e tipos da região usando placa e pintura policromada -
Carro de boi, Mulher alimentando galinhas, Mulher lavando roupa, Criança, Rendeira, Mulher torrando café, Mulher no pilão, Dança do pau de fitas, Dança da quadrilha,
Folguedos de São João, Folguedo de Boi de Mamão, Estória da vovó e seus netinhos, Brincando de passar anel, Vaso
folclórico, Burro de Carga,Colheita de Café, Tocador de Boi de mamão etc.


Thais Haderbeck de Oliveira
  é aluna da Olaria e confecciona seus trabalhos figurativos em terracota numa linha contemporânea.

 

 

  Nossos agradecimentos aos oleiros/professores da Olaria que prestaram informações durante nossa vista em maio/09 -  José Geraldo Germano e Newton Souza  que com apurado trabalho ajudam a manter a tradição açoriana da arte cerâmica.
 

Conheça a Escola de Oleiros Joaquim Antonio de Medeiros em São José-SC.
Outra entidade que com o apoio das autoridades municipais resgata a arte cerâmica dos colonizadores açorianos.

http://www.ceramicanorio.com\artepopular\escoladeoleirosjamsaojosesc\escoladeoleirosjamsaojosesc.htm

 

 
 

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