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Mestre Almerentino
Olaria São Gregório do Mestre Almerentino, em Maragogipinho-BA.
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O centro de Maragogipinho se situa à beira rio, um grande espaço cercado de olarias, uma colada na outra. A impressão é de uma taba indígena, no encontro do rio Jaguaripe com o mar. Em volta das 104 principais olarias, circundam outras tantas, ao todo são 157, sem contar com as pequenas olarias de fundo de quintal. O lugarejo conta a sua história na tradição oral a partir de 1820, é um distrito da cidade de Aratuípe–BA, município criado em 9 de agosto de 1891, distante apenas cerca de 12 km de Nazaré também conhecida como Nazaré das Farinhas. Longe dos grandes centros, Maragogipinho tem cultura própria e orgulho em viver a vida do barro, num estilo que encanta para sempre o visitante. O que mais chama atenção é que os oleiros são pessoas simples mas patrões de si mesmos. Fizeram do barro a moeda da liberdade. As olarias são construções toscas. A estrutura em madeira deixa as vigas à mostra e os telhados de duas águas refletem um tabuleiro de cores com os diversos tons de barro de suas telhas, como se fossem palhas tostadas pelo sol. As paredes são de varas espaçadas, que deixam correr o vento e entrar a claridade. Algumas delas são cobertas de palha até próximo à cumeeira, dando o aspecto de uma imensa oca indígena. O barro em Maragogipinho transforma-se em tudo e é de serventia para tudo, é fonte de vida e fonte de renda.
O nome da
Olaria São Gregório é uma homenagem ao pai do Mestre Almerentinho, o
Mestre Gregório Macário de Souza, nascido na cidade de Jaguaripe e casado
com Maria de Jesus Ramos. Em sua época fazia peças de porcelana e barro vidrado
ou esmaltado (cerâmica revestida com uma mistura de zarcão e chumbo).
Almerentino, quando menino, fazia seus caxixis. Diz-se que é o
caxixi quem faz o Oleiro. Desde sua tenra idade aos 7 anos
começou a ajudar o pai a fazer fornadas para vencer as encomendas
recebidas.Quando Mestre Gregório se deu conta o filho já era artista e
tinha iniciado uma linha de peças menos rústicas, trabalhada com mais arte. Mestre Almerentino Macário de Souza (1935) à primeira vista parece ser do tipo calado, de compleição magra, rosto bem marcado, cerca de 1,65m, pele da cor moreno-índio, fala devagar e firme, com um vigor que não aparenta seus 71 anos. As mãos expressivas, são alongadas e grandes, e dão a impressão de se transformar em uma ferramenta ao trabalhar no torno, açambarcando o barro e criando formas e formatos ao ritmo da roda que ronda o torno pela força das pernas do oleiro. A cadência e a velocidade fazem sua evolução à mercê do que se quer criar. Num trabalho sincronizado, braços, mãos e pernas se envolvem a um só tempo com o barro, em massa densa, bem úmida, quase molhada, que em movimento se levanta, se amolda e transmite instantâneo o pensamento do oleiro – um pote, um jarro, um prato, seja o que for. Mestre Almerentino tem uma voz calma e uma conversa sempre esperançosa de reconhecimento do seu trabalho. Basta uma pergunta para ele contar toda a história das Olarias e do surgimento de Maragogipinho. A Olaria São Gregório situa-se quase à beira do rio, na via principal. Na entrada, o forno à lenha, todo construído de tijolo vermelho, com arco catenário, tendo cerca de 3 metros de altura. Lateralmente tem dois outros fornos menores. O ambiente é tranqüilo e meio escuro, uma penumbra se comparada à alta luminosidade da terra nordestina. Não tem janelas. Só a claridade que vem pelo vão de entrada e pelas paredes vazadas de varas espaçadas. O calor se mistura ao frio da argila amassada em cada mão forjada pelo trabalho duro. As peças fogem um pouco à tradição local, por seu design mais arrojado e moderno, principalmente na linha das luminárias. O Mestre Almerentino é a segunda geração de oleiros da família. Casado com Dejanira da Trindade Souza tem uma grande prole, são 9 filhos. Cinco trabalham com ele na Olaria: Aldair, Sergio (vulgo Baygon), José, Almerentino Filho (vulgo Raimundo) e Aldenilson. Os demais Adnael, Sandra, Antonio e Delma seguiram outras profissões. A tradição que passou de pai para filho, está agora na terceira geração de Oleiros de Maragogipinho da linhagem Macário de Souza. |

Pesquisa e
texto: Israel Matos
Fotos: Américo Azzevedo
Dezembro/2006
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