ARTE  POPULAR  CERÂMICANORIO
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Juazeiro do Norte-CE

 

      Os trabalhos feitos com barro pelos membros da família Cândido , da cidade de Juazeiro do Norte no Estado do Ceará, constam do acervo de importantes museus e coleções particulares no Brasil e no exterior, e constituem um  dos melhores conjuntos da arte popular brasileira.

      Tudo começou no início da década de 70 quando a matriarca da família, Maria de Lurdes Cândido, casada com João Américo Monteiro, começou a modelar com barro brinquedos (bichinhos, fogões, panelinhas e coisas do gênero), para que suas filhas, ainda crianças, brincassem, como era costume usual nas cidades do interior naquela época.

      Posteriormente a mãe, que assina MLC,  e as filhas, Cícera Monteiro-Ciça,  Maria Francisca Monteiro,  Maria das Dores Monteiro,  Maria do Socorro Cândido-MSC e  Maria Cândido Monteiro-MCM   passaram a modelar peças decorativas, máscaras e quadros, tendo como suporte placas de barro nas quais são fixados adereços, objetos e figuras, em alto relevo,  formando o conjunto uma imagem tridimensional.

      Os temas abordados pelas artesãs são cenas do cotidiano, da vida familiar, do folclore sertanejo e outros: Família Viajando, Namoro na Praça, Banda de Pífanos, Trabalhadores Braçais, Família Assistindo TV, Missa, Anjos, Mulheres Fazendo Ginástica, Mulher Rendeira, Mulher Namorando etc.

 

     

 

 

       Em função do tipo das peças (máscaras e quadros), o modo mais apropriado de apresentação é o de pendurar  nas paredes. Na sua maioria os trabalhos medem cerca 30 cm de largura por 25 cm de altura, sendo sempre decorados (pintados) com muitas cores fortes e brilhantes.


     

 

     O melhor lugar para adquirir trabalhos dos artesãos imagens religiosas ou velas, em barro, madeira, palha   é no Centro de Cultura Popular Mestre Noza, principal entreposto de arte da cidade, localizado na Rua São Luiz, em Juazeiro do Norte.  

      Contato com a família Monteiro: josecandidomonteiro@hotmail.com

 

    

        Os três trabalhos abaixo ganharam o Prêmio Governo do Paraná, na categoria Cerâmica Popular- Religioso, no Salão Nacional de Cerâmica-2006, evento realizado na cidade de Curitiba-PR em maio de 2006.
      Autoria: Maria Candido Monteiro Rafael-MCM.
 

 


     

 

        Juazeiro do Norte é a cidade mais populosa do interior cearense, distante 600 km de Fortaleza, capital do Estado, sendo o mais importante pólo comercial e religioso do Vale do Cariri.

      Sua grande fama se deve ao fato de ser a terra do líder religioso e político Padre Cícero, Cícero Romão Baptista, (1884-1934), chamado pelos fiéis de Padim Ciço, considerado uma espécie de "santo popular" da região.           

      Durante todo o ano, acontecem diversos eventos religiosos como romarias, missas etc, em louvor ao religioso. O dia 01 de novembro, Dia do Romeiro, costuma reunir mais de 500 mil fiéis na cidade. Estima-se que as manifestações religiosas atraiam, anualmente, cerca de três milhões de pessoas à cidade.

      Em 2004, setenta anos após a morte do Padre Cícero, há um movimento dentro da Igreja Católica visando fazer as pazes com o maior mito da fé nordestina. Vale lembrar que pela primeira vez a Igreja se uniu aos fiéis para celebrar a memória do Padre que, suspenso das ordens ministeriais, morreu sem poder celebrar, batizar ou confessar.

      O impedimento do Padre Cícero se deu em função de um episódio, com suspeição de fraude, que assim é contado pela história: "em certa ocasião, ao dar comunhão à beata Maria de Araújo, a Hóstia se transformou em sangue".

      O fato causou grande polêmica tendo sido levado ao conhecimento do Vaticano que analisou, esta e outras ocorrências similares, considerando-as suspeitas. Em decorrência, foram tomadas drásticas medidas contra o Padre Cícero, por ter o religioso endossado o acontecido como sendo o aparecimento do sangue de Jesus, "um milagre dos céus".

      Como resultado o Papa Leão XII puniu o Padre Cícero com a suspensão de sua ordenação por não considerar o episódio como um milagre verdadeiro. Inconformado, Padre Cícero tentou em Roma obter o perdão, mas teve negada a reabilitação de suas ordens sacerdotais.

      Deve ser observado que apesar do impedimento Padre Cícero continuou a ser filho submisso obediente à Igreja.

      Posteriormente, Padre Cícero ingressou na política, tendo sido eleito o 1º Prefeito de Juazeiro, quando a localidade se emancipou de Crato, e depois Deputado e Vice-Presidente do Estado do Ceará.

Pesquisa, texto e fotos: Renato Wandeck

 

     

Pesquisa, texto e fotos: Renato Wandeck

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