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CERÂMICA DE IRARÁ-BA
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Didi, Nem, Nenga, Lita, Dôli, Fia, Dinha, Damiana, Edelzita, Bel,
Jucilene e muitas outras são as
louceiras de Irará, município pobre do
interior da Bahia. Elas fazem o trabalho artesanal de modelar o
barro dando-lhe as formas de aribé
ou tacho-peça de grande dimensão(cerca de 70 cm de diâmetro) usado no
preparo de comidas para festas; caboré-espécie de jarro usado
para servir líquidos; caqueiro-vaso para planta; cuscuzeiro-vasilha
utilizada para o cozimento do cuscuz; engana-gato-espécie de frigideira
cuja tampa se encaixa na borda da panela, o que impede que os gatos a
empurrem com a pata; fogareiro- geralmente com cerca de 50 cm de
altura; frigideira- espécie de panela rasa para cozer alimentos
(quando possui tampa é denominada frigideira de testo); moringa-com diâmetro
de bojo de 22 cm em média; panela- com ou sem tampa em variadas dimensões;
porrão- pote de grandes dimensões, com cerca de 1 metro de
altura,utilizado para a guarda de água. É geralmente mantido encostado à
parede, do lado externo da casa, facilitando a captação da água da chuva;pote-
geralmente com cerca de 40 cm de altura.Fica
na cozinha e é usado para
armazenar a água que se bebe e com a qual se preparam os alimentos;sopeira em
diversos tamanhos;prato- com dimensões
variadas; travessa- tamanhos variados. Sua forma oval determina o nome
como é também conhecida (travessa-canoa); trempe- arco sustentado
por três pés, utilizado como suporte para panelas. |
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Na confecção das peças usa-se também o tauá, pigmento vermelho de origem mineral utilizado na decoração como engobe (tinta).
Fazer
louça de barro em Irará se dá no espaço doméstico, geralmente tarefa das
mulheres, no terreiro da casa, à sombra de uma árvore ou de um telheiro quando o sol está muito forte.
A
destinação das peças é para uso da própria família e para a comercialização
na feira de artigos regionais que
acontece todo sábado. |
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Em
Irará não se emprega o torno nem a técnica de rolete na confecção
das peças cerâmicas. O trabalho é iniciado a partir do
bolo de barro que vai sendo puxado - levantando o corpo da peça.
A tarefa é executada com as mãos e com o auxílio de instrumentos rudimentares
como a taco de cuia(cuité) e o taco de tauba, também chamado
puxador. As formas finais das peças são sempre arredondadas, gordas, com desenho limpo e funcional. |
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Após
secar parcialmente ao sol a peça é raspada (cortada) com uma fasquia de
metal (geralmente um pedaço metálico
de arco de barril). Após alisada é recoberta com tauá e posta
novamente a secar. A seguir dá-se
o polimento com um seixo e coloca-se para secar novamente. Só após polir
(brunir), e secar ao sol mais uma vez, é que é levada para queimar no forno a lenha
por cerca de duas horas. Após o esfriamento estará pronta para o uso. A culinária tradicional é valorizada pelo uso de panelas,fogareiros, pratos etc de barro que proporcionam sabores especiais, ressaltando os ingredientes e temperos. Entre as receitas tradicionais da região destacam-se: Galinha de Currute, o Mangalô ,a Maturizada e o Caruru. Pesquisa, texto e fotos: Renato Wandeck Bibliografia: |
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