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Manuel
Eudócio
Caruaru-PE
(Alto
do Moura)
Manuel Eudócio Rodrigues, casado com Maria Luzinete Rodrigues da Silva,
nasceu em 1931. Ainda bem criança sua mãe faleceu prematuramente
tendo sido criado por sua avó materna que era louçeira.
Como
acontecia com os meninos do interior modelava com barro, para
brincar,
animais - cavalos, bois, vacas etc. Esta atividade lúdica foi o
início de sua carreira como "bonequeiro" que o
acabou transformando
num consagrado artista do Alto do Moura.
Esta localidade,
próxima à cidade de Caruaru,
no estado de Pernambuco,
é famosa pela "escola" do Mestre Vitalino (1909-1963),
ícone da arte de retratar no barro tipos, usos e costumes do cotidiano do sertão
nordestino.
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A influência de Vitalino em seu trabalho é marcante, bem como a de seu
cunhado
Zé Caboclo - José Antonio da Silva (1921-1973), casado com sua irmã
Celestina Rodrigues de Oliveira, conhecido como “o primeiro discípulo de
Vitalino”.
Deve-se observar que Manuel Eudócio é 22 anos mais moço que Vitalino.
São dezenas os tipos e cenas modeladas por
Manuel Eudócio:
Lampião e Maria Bonita, Noivos a Cavalo, Boi,
Vaca na Ordenha, Casamentos,
Velha indo para a Missa, Quadrilha de São João, Paus-de-Arara, Trio Nordestino,
Maracatu, Bumba meu Boi, Reisado, Cavalo Marinho e a linha de profissionais:
Médico, Dentista,
Professor, Delegado, Advogado, Juiz
etc.
Suas peças são de variados tamanhos chegando a medir meio metro de altura.
Observamos que o artista,
durante muito tempo,
modelou imagens de santos católicos.
No entanto,
terminou por abandonar a atividade por ter se tornado evangélico.
Importante salientar que todos em Alto do Moura contavam com a ajuda de
Vitalino,
o mais famoso artista do local, que não negava transmitir
conhecimentos
e técnicas aos companheiros.
Note-se que no início, diferente do que acontece hoje, a vida de todos no Alto
do Moura
era bem difícil face à renda insuficiente que obtinham como
bonequeiros.
Todos passaram por grandes dificuldades pois levavam uma vida cheia de privações.
A amistosa convivência
e liderança do Mestre Vitalino criou um clima onde todos
os artesãos se ajudavam. Muitos temas eram copiados de um e confeccionados por
outro.
Um dos exemplos mais marcantes é a “Noiva na garupa do cavalo do
noivo”
criação de Vitalino reproduzida por muitos.
Os temas eram imitados ou reelaborados sem que houvesse nenhuma retaliação.
Consideravam “ o plágio como uma lisonja”.

Zé Caboclo e Manuel
Eudócio, que durante muito tempo
trabalharam juntos,
criaram a representação do olho nas figuras
através de
um pequeno relevo pintado de branco com um pontinho preto no meio.
Em seguida todos os passaram a fazer igual sem que tenha ocorrido
nenhuma
reclamação dos autores quanto ao procedimento dos companheiros.
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Outra particularidade no Alto do Moura, digna de registro, é o fato de que quando os artistas trabalhavam em parceria, no mesmo local, era muito comum um usar o carimbo (assinatura) do outro. Não existia a preocupação com a autoria do trabalho, o qual não passava de uma mercadoria a ser comercializada para repartição dos lucros. O nome do verdadeiro autor podia ser relegado. Há muitas peças também sem nenhum tipo de identificação - autoria desconhecida. |
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As peças de Manuel Eudócio são queimadas em rústico
forno a lenha,
baixa temperatura, sem o uso de esmalte. Numa segunda etapa são
decoradas,
através de pinturas com tintas comerciais, normalmente com cores fortes e brilhantes.
Seus trabalhos constam
do acervo de importantes museus e coleções particulares
- Museu do Barro em Caruaru-PE, Museu do Homem do Nordeste em
Recife-PE,
Museu Casa do Pontal no Rio de Janeiro-RJ, Museu do Folclore Edison
Carneiro
no Rio de Janeiro-RJ, Museu Castro Maia (Chácara do Céu)
no Rio de Janeiro-RJ.
Até
hoje, aos 74 anos, o artista continua em plena atividade em companhia
de muitos membros da família - filhos, netos etc, que também
se dedicam ao mesmo ofício de modelar o barro.
individual “Manuel Eudócio-Patrimônio Vivo” na Sala do
Artista Popular do
Museu do Folclore no Rio de Janeiro-RJ.
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Pesquisa, texto e fotos: Renato Wandeck
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