ARTE
POPULAR CERÂMICANORIO
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CARUARU/ALTO
DO MOURA-PE
Mestre
Vitalino e outros
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O
pai trabalhava na roça e a mãe além de o ajudar era louçeira. Fazia panelas,
potes, jarros, alguidares, pratos, mealheiros etc. Vitalino desde
criança brincava modelando com as sobras de barro de sua mãe. Voltado para o lúdico,
fazia bichos: cavalos, bodes, vacas etc. Aproveitando
que o pai e o irmão vendiam na feira peças que sua mãe fazia, Vitalino
passou a mandar para lá os bichinhos e outras coisas que modelava. Vendia
barato e ganhava uns vinténs. Tinha uns 7 anos na ocasião. |
| Passados os anos, Mestre Vitalino, em 1947, já com 38 anos, continuava a viver da roça e de modelar bonecos. Estimulado pelo artista plástico e colecionador pernambucano Augusto Rodrigues, que admirava a excelência de seu trabalho, foi morar em Alto do Moura, localidade próxima de Caruaru, distante somente 8 km, com sua mulher e filhos. | ![]() |
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Em
Alto do Moura, Vitalino ficou perto da famosa Feira
de Caruaru, que tinha centenas de barracas onde se comercializava de
tudo. A amistosa relação mestre/discípulos criou um clima onde todos se ajudavam assimilando entre si técnicas e temas. Muitas criações eram copiadas de um e produzidas por outro.Não havia o dono da cena, o detentor do direito daquela imagem. Copiar obra de outro companheiro era prática aceita com naturalidade por todos. |
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| Os “bonequeiros” de Alto do Moura retratavam, dentre muitas, as seguintes cenas do cotidiano sertanejo:Terno de zabunba, Família de retirantes, Enterro na rede, Festa de casamento, O Marchante cortando carne, Barbeiro de feira, Aguadeiro carregando água, Pescador com vara e anzol, Cavador de açude, Mulher com lata d¢ água na cabeça, Mulher apanhando algodão, Casa de farinha, Carro de boi, Delegado, Vacinação, Dentista, Fotógrafo, Violeiros, Engraxate, Delegado, Banda (Procissão de Zabumba), O Palhaço, Noivos (casamento a cavalo), Vaqueiro derrubando o boi, Cavalo, Boi, Caçador, Agricultor voltando da roça, Vaquejada, Doutor auscultando o doente, Curral de boi, Centauro, Homem com cachorro, Homens com arado, Homens na lavoura, Ordenha, Médico operando o doente, Comedores de Banana, Time de Futebol, Banda de Pífanos, Crucifixo, Lampião sereia, Lampião e Maria Bonita, São Francisco cangaceiro, Conselho dos bichos e Carro de noivos, Menino sentado no penico, Velho pensando, Velho acocorado soprando fogo na roça, Escola radiofônica, Roberto Carlos cantando, Cavalo-marinho, Bumba-meu-boi, Os Três no Forró, Terno de Pífanos, Cangaceiros, Lampião a Cavalo, Procissões, Família Retirante, Bumba-Meu-Boi. |
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Com
o passar do tempo, contando com a expansão dos meios de comunicação, os
“bonequeiros” passaram a ter conhecimento, rapidamente, dos novos
acontecimentos nacionais e internacionais, e os registravam através de seus
trabalhos. A
integração entre o pessoal de Alto do Moura
era tanta que haviam “bonequeiros” que dividiam um mesmo espaço,
trabalhando no mesmo cômodo da casa. Na hora de colocar a marca de autoria na
peça, não era usual assinar e sim Outra
prática que ocorria era vender trabalhos sem gravar o nome do autor. Tanto que
é comum encontrar, hoje em dia, entre as peças expostas em museus e constantes
em livros e catálogos, a anotação “autoria desconhecida”. Havia
um grande clima de camaradagem em Alto do Moura, que se expressava de
diversas maneiras: se havia espaço no forno queimavam também as peças do
companheiro; quando estavam participando da feira, expunham e vendiam também |
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Os Retirantes. Cena típica modelada por inúmeros ceramistas de Caruaru. |
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Os “bonequeiros” se profissionalizaram e viviam do ofício. Expunham seus
trabalhos na Feira de Caruaru, principalmente aos sábados, dia de maior
movimento. No entanto, face às dificuldades do transporte e do risco de quebra
das peças no manuseio, tanto na ida quanto na volta, passaram a vendê-las em
suas próprias casas em Alto do Moura. Outra vantagem desta medida é que
deixaram de perder um precioso tempo para ir e voltar, sem contar as horas que
ficavam trabalhando na feira, quando ficavam impossibilitados de produzir. Muito
trabalho e pouco dinheiro. As peças
eram vendidas muito baratas. Os compradores não se dispunham remunerar com um
preço justo aos “bonequeiros”. A vida era dura, muito dura. Nenhum acumulou
riqueza nem viveu folgadamente. Vitalino e todos os demais
morreram pobres. |
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O
modo atual de modelar os bonecos é quase idêntico ao do passado. Fazem
tudo manualmente usando ferramentas improvisadas. |
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Forno de Mestre
Vitalino. |
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Os trabalhos abaixo têm o carimbo de Vitalino.
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A peça abaixo de Mestre Vitalino
é original-autêntica.
da zelosa empregada doméstica que aplicou sucessivas camadas de cera.
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| Fotos: Sandra Santos |
| Vitalino
faleceu em 20 de janeiro de 1963, acometido de varíola. Teve 18 filhos e,
destes, somente 5 viveram até a idade adulta. Amaro Vitalino (1934), Manuel
Vitalino (1935), Maria Pereira dos Santos (1938), Severino
Vitalino (1940) que assinou durante muito tempo seus trabalhos como Vitalino Filho (nome de fantasia), e Antonio Vitalino (1943). A
família Vitalino está representada, hoje em dia, por filhos e
netos. Através do artesanato "Mãos de Vitalino" , peças
produzidas pelos parentes, e alguns de seus seguidores, podem ser adquiridas
através de seu neto Vitalino Pereira dos Santos Neto: rua Mestre
Vitalino 644-Alto do Moura, CEP 55000-000,
telefone (81) 3722-0397 ou pelo celular 9982-4762. |
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Casa-Museu
de Mestre Vitalino. |
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Digno
de registro é o fato de Alto do Moura ser considerado pela UNESCO como o
maior Centro de Arte Figurativa das Américas. Atualmente, muitas
dezenas de pessoas trabalham seguindo a |
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Outra
faceta do Mestre Vitalino era a música. Festeiro não
perdia uma folia. Exímio tocador de Pífano integrava as zabumbas da região. |
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| Atualmente
existem dezenas de artesãos no Alto do Moura vivendo de modelar o barro. Além
de parentes de Vitalino (filhos, netos etc), há ainda alguns de seus “discípulos”
trabalhando no local. Eis alguns dos ateliês existentes em 2003: Elias Francisco dos Santos, Família Zé Caboclo, Luiz Antonio da Silva, Luiz Carlos Rodrigues, Antonio Rodrigues, Luiz Galdino, Manuel Eudócio, Zé Galego, Paulo Sérgio e Rogério. |
| Paulo Sérgio e Rogério. Sinal dos tempos é que há gente fazendo peças eróticas.
A dupla é especialista no assunto inspirados, provavelmente, no manual indiano Kama
Sutra. Modelam em barro, com
muita originalidade, inúmeras posições para o ato do amor. Conheça o trabalho da dupla: Clique aqui |
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Zé Caboclo - José Antônio da Silva (1921-1973) era casado Celestina
Rodrigues de Oliveira, irmã de outro bonequeiro famoso Manoel Eudócio. Tiveram
8 filhos: Paulo Rodrigues, Antonio
Rodrigues, José Antonio da Silva Filho, Horácio, Helena, Socorro, Camélia e
Marliete. Alguns dos citados e outros parentes exercem o ofício em Alto do Moura. Conheça seu trabalho: Clique aqui |
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Marliete Rodrigues da Silva
nascida em 1957 é
um dois oito filhos do famoso Zé Caboclo um dos primeiros
bonequeiros a exercer o ofício no Alto do Moura. Suas peças são muito apreciadas e procuradas. Já fez
exposição na França e em Portugal. Atualmente seu grande sucesso é a modelagem de miniaturas retratando
cenas já consagradas como “ A Família de retirantes fugindo da seca”
e outras. Conheça seu trabalho: Clique aqui |
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Antonio
Rodrigues é um dois oito filhos do famoso Zé Caboclo um
dos primeiros bonequeiros a exercer o ofício no Alto do Moura. Conheça seu trabalho: Clique aqui |
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Luiz Antonio da Silva
nasceu
em 1935 no Alto do Moura. É
contemporâneo e um dos discípulos do Mestre Vitalino. Trabalha
junto com sua esposa Odete, filhos e netos. Luiz Antonio é famoso pela sua principal especialidade: representação com barro de cenas ligadas ao uso de máquinas. Exemplo: o fotógrafo com a sua câmera; funcionário da companhia de eletricidade, trepado no poste consertando transformador; caminhões, maquinário de fábrica de telhas etc. Conheça seu trabalho: Clique aqui |
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Manuel Eudócio nasceu
em 1931. Juntamente com filhos e netos continua modelando peças
decorativas usando cores fortes e brilhantes. Conheça seu trabalho: Clique aqui |
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Manoel Galdino (1929-1996). Conheça seu trabalho: Clique aqui |
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Elias
Francisco dos Santos, contemporâneo e discípulo de Vitalino. Abandonou o ofício por cerca de
30 anos trabalhando no Recife, hoje aposentado, voltou às origens e produz peças
representando animais e o famoso São Jorge Matando o Dragão. Conheça seu trabalho: Página "Em construção" |
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Pesquisa
e texto: Renato Wandeck Fotos: Renato Wandeck e outros Bibliografia: O Reinado da Lua: Escultores Populares do Nordeste. Silvia Rodrigues Coimbra, Flávia Martins e Maria Letícia Duarte. Salamandra,1980. |
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