ARTE
POPULAR CERÂMICANORIO
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B
A R R A
Bahia-BA
| Em ago/set de 2003 a Galeria Pé de Boi, no Rio de Janeiro-RJ, organizou a exposição "Santorixá" - a cerâmica dos artistas de Barra na Bahia - com 90 esculturas em cerâmica feitas por por artesãos da cidade. As peças mostram figuras de santos católicos mesclados com orixás, destacando os movimentos do candomblé com a opulência das vestes - sincretismo religioso que faz parte da cultura baiana. |
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Barra, cidade
localizada à margem esquerda do Rio São Francisco, no centro-oeste do estado
da Bahia, distante de Salvador cerca de 800 km, foi no passado um importante
centro comercial regional quando as ligações entre as cidades eram feitas
quase que exclusivamente por via fluvial. |
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Posteriormente, com o declínio da navegação
fluvial, face ao crescimento da malha viária com a construção de estradas de
rodagem, a atividade manufatureira do barro entrou em acentuado declínio na
cidade de Barra por falta de compradores que permitissem escoar a produção.
Barra foi
um dos municípios baianos onde a ação do Instituto Mauá se fez
sentir. Sua atuação, organizando e comercializando, facilitou o resgate da
tradição centenária do trabalho dos artesãos locais com o barro. Como
conseqüência atualmente
são produzidos cada vez mais objetos decorativos, utilitários, figurativos e
religiosos (santos católicos e orixás do candomblé).
As
peças são moldadas manualmente pelos artesãos aplicando roletes superpostos
(cobrinhas) com as paredes “puxadas
a mão”, sem o auxílio do torno, usando-se para o acabamento pedaços de
cabaça (coité), sabugo de milho, facas, colheres e
Na
decoração usa-se o tauá, corante obtido do barro, que confere às peças
uma cor avermelhada.
A
argila utilizada é obtida de jazidas locais principalmente na região da confluência
do rio Grande com o São Francisco. Cabem aos homens a tarefa extrativa, o seu
transporte e o gerenciamento das
queimas nos fornos. O barro também é utilizado na fabricação
de telhas tijolos e manilhas.
As
peças são queimadas em baixa temperatura, por cerca de seis horas ,uma única
vez (monoqueima) usando-se
primitivos fornos a lenha, muitas vezes em fornadas comunitárias contendo peças
de diferentes oleiros.
A
grande maioria dos objetos produzida apresenta
características similares quando comparados com os confeccionados em outras
cidades baianas. Isto se dá face à influência da cerâmica indígena,
existente muito séculos antes do descobrimento, presente em quase todos os lugares em que se moldava o barro antigamente. A região da
cidade de Barra era habitada pelos índios Gês tidos como bons oleiros.
Nota-se,
no entanto, que, com o correr dos tempos, houve a adoção de novos padrões -
gostos e costumes - assimilados dos colonizadores de origem européia
(portugueses, espanhóis, e holandeses). Neste particular, vale observar que
foram os padres da Companhia de Jesus que iniciaram a produção organizada de
cerâmica no Brasil, usando a mão-de-obra dos índios e dos negros escravos.
Inicialmente produziram tijolos e telhas usados para a edificação dos colégios
e engenhos e utensílios domésticos - panelas, potes, moringas,talhas etc.
A
mudança nos tema e desenho das peças
é evidente. No início produziam somente potes e moringas com o formato
tradicional. Mais tarde novos objetos e novas formas diversificaram a produção.
Criaram a moringa-pato ,moringa-galinha, moringa-moça em formato de mulher,
castiçais, cachepôs, mealheiros, imagens de santos católicos e de orixás do
candomblé e outras mais continuam surgindo.
Quando
do declínio da produção, ocasião em que os preços pagos pelos
atravessadores eram muito aviltantes , a qualidade das peças diminuiu sendo
chamada de louça de carregação. Com a melhoria do mercado a
qualidade voltou a subir voltando a ser chamada de
louça de perfeição.
Digno
de realce foi a atuação da Diocese no que se refere à reversão do quadro de
estagnação que se encontrava a atividade dos que trabalhavam com o barro na
cidade , principalmente no lugarejo denominado Caatiguinha, em decorrência
do menor fluxo de embarcações no porto.
Atualmente pode-se
adquirir nas lojas do Instituto Mauá em Salvador objeto de barro a preços
convidativos, objetos estes que, mesmo assim, remuneram mais condizentemente do
que no passado os artesãos da cidade de Barra.
Outra
maneira de adquirir peças é tratar diretamente com os artesãos através da
Associação da Cerâmica Comunitária Nossa Senhora de Fátima,
localizada na rua Sete de Setembro s/nº. Há sempre disponível peças
produzidas por dezenas de louceiras(os): potes, vasos, moringas, patas,
galinhas, miniaturas variadas, imagens de santos católicos, orixás do candomblé
e muito mais. |
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Bibliografia: Louça de perfeição: A Cerâmica Baiana do Município de Barra. Catálogo da exposição realizada de 03/12/97 a 12/01/97 Sala do artista popular 67 Ministério da Cultura/Funarte Coordenação de Folclore e Cultura Popular,1996 PEREIRA,Carlos José da Costa. A Cerâmica Popular da Bahia.Salvador-BA, Livraria Progresso Editora, 1957. SENAC. DN. Oficina:cerâmica/Eliana Penido, Silvia de Souza Costa, Rio de Janeiro: Ed Senac Nacional,1999. 120 p.ll. O Reinado da Lua: Escultores Populares do Nordeste Silvia Rodrigues Coimbra,Flávia Martins e Maria Letícia Duarte,Salamandra 1980. Pesquisa, texto e fotos: Renato Wandeck |
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