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Queima em Forno Noborigama A
queima Noborigama foi criada na China há mais de 1000 anos. |

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Os fornos são edificados com tijolos refratários e usa-se barro para vedar as frestas. A cobertura,também de tijolos, deve ser construída em formato de abóbada. As dimensões de cada Câmara devem ser em torno de: Largura-1,20 m/ Profundidade 1,50 m/Altura 1,80 m. Estima-se em cerca de 3000 tijolos o dispêndio para construção com tais medidas. Não devem ser usadas quaisquer peças metálicas em portas, grelhas etc, já que estes materiais não resistem à elevada temperatura atingida na queima, 1350º C. A quantidade de Câmaras e suas dimensões permite que sejam queimadas milhares de peças numa mesma fornada. Há casos no Japão, bastante raros na verdade, de um forno Noborigama possuir 12 câmaras e queimar 20.000 peças de uma só vez. Observe-se que o mais usual é o forno conter 3, 4 ou 5 câmaras e queimar cerca de 2000 peças por vez. A
alimentação do fogo é feita com lenha e inicia-se pela boca inferior da
Fornalha, com a superior fechada, usando-se toras
grandes de madeira, por cerca de 24 horas. No Brasil não existem muitos fornos Noborigama. No Rio de Janeiro há um instalado no Sítio das Flores, em Xerém, início da subida da serra de Petrópolis. Em Cunha-SP, há cerca de cinco ateliês queimando regularmente em forno deste tipo. Pela dimensão, e o trabalho decorrente, as queimas em forno Noborigama não acontecem com muita frequência. Entre uma e outra passam-se meses. O dia da abertura do forno é sempre uma comemoração bem festiva, com a presença de convidados e amigos, rolando comes e bebes.Isto é tradicional. Nesta ocasião avalia-se o resultado da fornada e comemoram-se os bons resultados obtidos. É o momento em que se começa a pensar como corrigir o que deu causa às peças defeituosas e a imaginar como fazer coisas novas. Vale lembrar uma frase do ceramista Gilberto Jardineiro, especialista em queima Noborigama: “o grande lance do forno a lenha é que você cria alguma coisa e o resto o fogo faz”. Em cada fornada há sempre surpresas, algumas boas e outras más. Não há necessidade do uso de uma argila com características especiais, específicas. A maioria dos ceramistas que queimam neste tipo de forno produz seus próprios barros e os formula com base em experiências próprias, levando em conta as disponibilidades das jazidas da região. Pode-se usar também argilas já prontas com resultados satisfatórios, em alguns casos. Quando se usa barro de tonalidade clara, numa queima Noborigama, aparecem com destaque as marcas da língua de fogo nas peças. Este efeito é geralmente muito bonito. As peças podem ser feitas em torno, em placas ou usando-se moldes. As peças maiores devem ser robustas, grossas, pesadas. Observe-se que uma peça pesada é a que tem peso distribuído em toda a sua área e não somente em seu fundo como por exemplo. Os esmaltes usados são normalmente feitos pelos próprios ceramistas, com cinza de casca de arroz, cinza de eucalipto, óxidos, caulim, feldspato, carbonato de bório, estanho, quartzo, calcita, talco, barro, entre os mais comuns. Pode-se também fazer decoração nas peças usando-se óxidos (de cobalto etc ) já na queima de biscoito. A esmaltação das peças é feita normalmente, por imersão, com uma camada grossa de esmalte. O sucesso de uma boa queima em forno Noborigama depende do bom gerenciamento do tempo e da temperatura de sua Fornalha e Câmaras. Como a queima dura cerca de 35 horas é necessário haver um acompanhamento constante, dia e noite, para que a temperatura atinja e se mantenha no nível desejado e pelo tempo necessário. Para isto é preciso um monitoramento adequado da alimentação do fogo com a lenha. Esta tarefa deve ser sempre compartilhada por diversas pessoas, já que é cansativa e exige muita concentração e atenção. A queima pode ser feita com lenha de eucalipto reflorestado,(deixada secar por muitos meses), prática ecologicamente correta, ou outro tipo qualquer de madeira, inclusive sobras de caixotes. O corte deve ser feito em pedaços grandes, médios e pequenos. Uma
queima num forno de quatro Câmaras consome cerca de 15 metros cúbicos, o
equivalente a um caminhão. A arrumação das peças dentro de cada Câmara deve privilegiar o melhor aproveitamento de espaço possível. Um bom critério é misturar peças de grande formato, com outras médias e pequenas, otimizando, desta maneira o espaço disponível em cada prateleira refratária. A
entrada das Câmaras deve ter altura e largura suficientes que permitam o acesso
no seu interior, de forma confortável quando da colocação e retirada das peças.
Após a arrumação nas prateleiras, a entrada é fechada, levantando-se uma parede de tijolos refratários e barro, que será
demolida com facilidade finda a queima. Há também, em cada Câmara, outra abertura (janela), menor ainda, para que se possa controlar a temperatura interna, através da observação dos cones pirométricos, posicionados nas prateleiras. Há Câmaras que têm este tipo de abertura (janela) dos dois lados. Isto permite um maior controle e conhecimento da temperatura interna do forno, em pontos diferentes. Para a observação dos cones, devem-se usar óculos com lentes escuras e uma máscara protetora para o rosto. O uso de pirômetro não é recomendado pois as cinzas em suspensão grudam nele e mascaram a medição. |
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Nestes,
e em outros tipos de fornos pode-se usar a SAGGAR, (em inglês) no Brasil
conhecida como MUFLA. É um recipiente feito com argila, com tampa, em cujo
interior colocam-se para queimar peças pequenas, delicadas, com paredes finas,
que podem ser misturadas com serragem, cascas de arroz,
óxidos, minerais, sal etc, para a obtenção de efeitos especiais. As peças assim queimadas adquirem colorações, manchas e efeitos muito interessantes. |
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Existem
ceramistas que fazem queima Noborigama usando simultâneamente várias Câmaras.
Umas para esmalte e outras para biscoito. |
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