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O USO DO ENGOBE

  O uso do engobe na argila crua, em ponto de couro mais para seco, oferece mais vantagens porque possibilita o emprego de várias técnicas como sgrafitto, máscaras,"inlay" (incrustar) e outras. Além disso o engobe na argila crua pode ser retocado sem problemas, o que não acontece quando é usado  sobre o biscoito.
Eu uso engobe feito de porcelana (sobras da porcelana reciclada) e pigmentos, que são mais estáveis que os óxidos, não dando manchas. Pode-se usar qualquer argila, mas às vezes, quando a argila do engobe encolhe mais do que a outra sobre a qual vai ser aplicado, ele pode descascar.
O engobe deve ser da consistência de iogurte mais para líquido, passado em peneira para não ter bolinhas que enfeiam a  superfície, e o pincel usado deve ser bem macio, gordinho, para conter uma quantidade grande do engobe. O engobe deve ser passado 2 ou 3 vezes, em direções diferentes para cobrir bem a superfície.

1) Sgrafitto:  Depois de coberta com engobe toda a superfície que se quer decorar, usa-se uma ferramenta de ponta para riscar, fazendo-se o desenho que se quer. Os desenhos serão da cor da argila, em contraste com o engobe.
É melhor fazer isso quando o engobe já está seco.  As rebarbas que saem dos riscos não devem ser retiradas  até estarem completamente secas.

2) Máscaras: Cobre-se as partes que não se quer cobertas com o engobe, com um papel no formato desejado, listras, flores etc (jornal é ótimo para isso e é bom molhar o papel antes de coloca-lo sobre a argila). Passa-se o engobe na superfície toda e depois retira-se o papel. Pode-se fazer variações sobrepondo-se as máscaras e usando engobes de cores diferentes, retirando as máscaras depois de cada camada. É experimentar que dá mil resultados diferentes.

3) Inlay/Incrustar: Ao contrário do sgrafitto, faz-se os riscos na argila em ponto de couro. Os sulcos devem ser mais largos, como com uma cabeça de alfinete. Passa-se então, com um pincel, o engobe dentro dos sulcos. Quando a argila estiver bem seca (quanto mais seca melhor), raspa-se a superfície por cima dos sulcos, retirando-se o excesso, com cuidado para não danificar as áreas em torno.

Pode-se também usar o engobe sobre o biscoito, mas os resultados não são tão bons. Deve ser bem mais líquido do que o outro e ser passado várias vezes para a cor ficar por igual. Há sempre o perigo de descascar, pois está se usando uma argila que ainda vai encolher sobre uma que já foi queimada e já encolheu. Nenhuma das técnicas acima pode ser usada pois o
engobe fatalmente vai descascar. Usa-se apenas para colorir algumas partes da superfície já biscoitada.

Colaboração de Eliana Penido, ceramista com ateliê no Rio de Janeiro-RJ.
 

 

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